O compositor cabo-verdiano Adalberto "Betu" Silva destacou hoje o "grande contributo" do cantor Ildo Lobo, que morreu há 10 anos, para a revitalização e projecção internacional da morna, o género maior do arquipélago.
Em declarações à agência Lusa, o também deputado, que escreveu várias músicas que foram interpretadas pelo Ildo Lobo, recordou que cantor foi o responsável pela revitalização da morna cabo-verdiana, quando, em 1996, lançou o seu primeiro CD a solo, intitulado "Nos Morna", e inteiramente dedicado ao género musical.
"Ildo Lobo deu uma grande contribuição para que a morna não fosse esquecida, quando, em 1996, teve a coragem de lançar um CD composto só por mornas", recordou Betu Silva, para quem a obra do Ildo continua a ser muito lembrada e a servir de fonte de inspiração para a nova geração de músicos.
Quanto aos dez anos sem Ildo Lobo, Betu Silva indicou que isso nota-se "mais fisicamente" porque as músicas continuam a tocar com muita frequência nas rádios e nas televisões cabo-verdianas e tem sido merecido várias homenagens.
O cantor e compositor, uma das vozes maiores da música cabo-verdiana, morreu há dez anos, deixando um misto de saudades e consternação e a data é recordada no país com algumas atividades.
Hoje à tarde, o Ministério da Cultura cabo-verdiano promove no Palácio da Cultura com o nome do cantor uma homenagem denominada "SaudaDEZ do Ildo", com música, mostra de fotografias e testemunhos de várias pessoas.
Também à tarde, um grupo de amigos vai reunir-se no Cemitério da Várzea, na Cidade da Praia, para depositar uma flor e prestar uma "singela homenagem".
Este ano, as comemorações do Dia Nacional da Cultura cabo-verdiana lembraram Ildo Lobo e os Correios de Cabo Verde emitiram um selo para homenagear o cantor.
Nas redes sociais, os cabo-verdianos multiplicam-se em mensagens de pesar, orgulho e agradecimento pelo contributo que o cantor deu para a cultura cabo-verdiana.
O cantor foi lembrado domingo com um concerto num dos hotéis da Cidade do Mindelo, ilha de São Vicente, que contou com vozes de Constantino Cardoso, Edson Oliveira, Carmen Silva e Sandra Horta.
Na ilha do Sal, terra onde nasceu, até agora não está programada qualquer actividade oficial.
Ildo Lobo nasceu a 25 de Novembro de 1953 na localidade de Pedra de Lume, ilha do Sal, e morreu a 20 de outubro de 2004, na capital cabo-verdiana, na sequência de uma queda, seguida de ataque cardíaco.
O cantor ficou conhecido pela sua voz versátil e melódica, a sua poderosa presença em palco e a forma singular como cantava mornas, coladeiras e funaná, que fizeram dele um dos maiores intérpretes de sempre de Cabo Verde.
O conhecido intérprete cabo-verdiano foi uma das figuras de proa e vocalista dos Tubarões, grupo que marcou a música de Cabo Verde a partir da época da independência, a 05 de julho de 1975, até à década 1990.
Com os Tubarões, gravou oito discos num intervalo de 18 anos, como "Pepe Lopi" (1976), "Tchon di Morgado" (1976), "Djonsinho Cabral" (1979), "Tabanca" (1980), "Tema para dois" (1982), "Os Tubarões" (1990), "Os Tubarões ao Vivo" (1993) e "Porton d' nôs ilha" (1994).
Ildo deu voz a compositores como Manuel d´Novas e Renato Cardoso e interpretou as grandes mornas que marcaram a sociedade cabo-verdiana como "05 de Julho", "Cabral Ká Morri" e "Porton d'nôs Ilha".
Fez ainda carreira a solo, tendo gravado três discos, "Nôs Morna" (1996), "Intelectual" (2001) e "Incondicional" (2004), que saiu depois da sua morte.
Também participou numa homenagem a Timor-Leste durante a "luta de independência deste país com o funaná "Ask Xanana".
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