A informação foi avançada hoje à Inforpress pelo presidente da Companhia de Dança Raiz di Polon, Mano Preto, por ocasião da comemoração dos 27 anos de existência do grupo, assinalado no passado dia 14 de Novembro.

Para assinalar a efeméride, a companhia de dança estreou duas novas peças de dança “Coração de Lava” e “Kodé di Dona” que encerrou o palco do festival de Mindelact, com casa cheia e pretendem ainda continuar a promover essas obras a nível nacional e internacional.

De momento, afirmou, a companhia está a preparar uma nova criação dedicada a morna, baseado numa opereta escrito por Jaime Figueiredo “Terra de Sodade”.

“Aproveitando essa fase de morna ser candidato a património mundial estamos a fazer uma peça de morna, baseado numa opereta escrito por Jaime Figueiredo. A história aconteceu na ilha Brava, na época da pesca da baleia, e vamos adapta-la para uma peça, com estreia marcada para 2019”, anunciou.

Nesta nova peça, segundo o dançarino, o grupo vai dedicar de “corpo e alma”, pois é uma criação que vai exigir muito trabalho, uma vez que pela primeira vez vão trabalhar com projecções tecnológicas em 3D.

Para 2019, além da estreia desta nova peça, a companhia inicia as suas pesquisas para as próximas criações coreográficas, que incluirão peças focando personalidades artísticas específicas e colaborações com outros artistas.

Convidado a fazer uma análise da situação da dança no país, Mano Preto disse que este sector “vai bem, mas que poderia estar muito melhor”.

“Em todos os eventos podemos ver a participação de bailarinos. A Dança tem estado a ganhar vários editais do Ministério da Cultura, quer a nível nacional e internacional, por exemplo um dos bailarinos do Raiz di Polon ganhou a residência artística em Portugal”, frisou.

Com largos anos de experiência no mundo da dança, Mano Preto aconselha os seus colegas a não ficarem à espera de apoio para realizarem um projecto, para serem mais criativos e não copiarem danças publicadas nas plataformas digitais.

“A matriz da nossa cultura tem muitas coisas que podemos ir buscar e fazer coisas melhores, e Raiz di Polon é prova disso, porque só conseguimos viajar para muitos países e vencemos muitos prémios, porque o nosso trabalho é original e preserva vários aspectos da nossa cultura, desde dança, gastronomia, paisagem, formas de estar e de relacionar” disse, advogando que a companhia tem uma linguagem corporal reconhecida a nível nacional.

Criada em 1991, informou, este grupo, com um corpo permanente de cinco bailarinos, produziu em média 11 peças, sem contar com reposições, mix entre várias peças, tendo participado em muitos espectáculos a nível nacional e passado por 50 países e mais de 100 cidades.

Ao longo da sua criação, a companhia ganhou vários prémios a nível nacional, sendo o último ter sido atribuído, recentemente, no Mindelact, em São Vicente, com o prémio “Copacabana”, e ainda receberam inúmeras homenagens por parte do Governo, da Presidência da República e da Câmara Municipal da Praia.

A nível internacional, indicou a mesma fonte, o grupo é detentora de vários prémios de participação em concursos de dança e ainda foram reconhecidos no Rio de Janeiro (Brasil).

Segundo o dançarino Mano Preto, o grupo foi criado mesmo sem terem nenhuma condição, em termos de espaço para os ensaios e sem qualquer apoio, mas com o tempo conseguiram ser reconhecidos pela sociedade civil e artística.

“Quando fundamos Raiz di Polon sabíamos o que queríamos, daí chegarmos aos 27 anos. Nunca fizemos nada esperando apoio, mas ao longo do percurso fomos conseguindo apoios. Isso mostra que quando queremos conseguimos, por isso temos de ser perseverantes” afirmou.

Com um núcleo de cinco elementos, que tem representado o país em vários eventos internacionais, o grupo tem dado o seu contributo para que a dança contemporânea continua a enraizar no país, apostando em transmitir as suas técnicas de dança para novos elementos.

Neste momento, informou, a escola de dança Raiz di Polon conta com cerca de 15 alunos.

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