A Inforpress conversou com os membros do grupo, que na ilha tem sido uma banda cultural, praticamente a última geração que vem interpretando a morna nos concertos locais e em concertos internacionais em que tem participado.

Para Rosa Andrade e José Duarte, esta classificação da morna como Património Cultural Imaterial da Humanidade foi o “culminar” de diversos processos e de muito trabalho.

“Foi algo que todos os músicos e toda a nação cabo-verdiana já estavam à espera, pelo que a morna tem sido para o país, há longos anos como a expressão da alma do povo de Cabo Verde e que tem feito com que o país seja conhecido lá fora, sobretudo pelo trabalho que a Cesária Évora e outros artistas têm feito”, considerou estes jovens.

Segundo os mesmos, a partir de agora, o país ganha de outra forma, não só no aspecto cultural, mas mesmo a nível económico, com algumas mudanças para melhor.

Falando particularmente da ilha Brava, estes salientaram que “a Brava é conhecida como sendo a ilha da morna, e onde sempre têm realizado concertos. Este estilo faz parte do nosso repertório”.

Pois, conforme explicaram, as pessoas espalhadas pelos diversos palcos internacionais por onde já passaram já estão acostumados e sempre que anunciam a banda da Brava, associam-na logo à musica de Eugénio Tavares.

Com a nova classificação da morna, a Banda diz estar “ansiosa” e no aguardo de novos concertos, principalmente para as bandas que possuem morna no seu repertório como género mais predominante.

“Em 2020, pode ter novos projectos e a elevação da Morna a Património Imaterial da Humanidade pode abrir novas portas que ainda não sabemos”, partilharam esperançosos.

Embora, adiantaram que por ser uma banda que surgiu dentro da programação do Festival Sete Sois Sete Luas, ao longo dos três anos já cumpriram o que era para ser feito a nível de digressão.

Além disso, partem da opinião de que a classificação da morna talvez possa ser um “incentivo” para a camada jovem que tem vindo a enveredar para outros estilos.

E não obstante isso, dizem que é preciso ser feito um “trabalho de fundo” para dar continuidade ao processo e este trabalho não deve ser feito só por parte do poder central ou local, mas também da sociedade civil, executantes e compositores.

A escola, conforme os mesmos, também vai ter que desempenhar um papel “importantíssimo”, sobretudo na questão de transmissão dos valores sobre a morna, para as gerações futuras, uma vez que os mais novos têm vindo a enveredar por outros estilos.

“Há que haver um ensino da morna para que possa tornar uma mais-valia para o país e para Brava que vai acabar por sair um pouco do “apagão cultural”, porque devem muito a esta ilha, onde supostamente a morna deve ter surgido e vários compositores que fizeram as mornas são da ilha”, defenderam estes membros.

Aos jovens, o grupo pede que tentem ou experimentem, porque normalmente o gosto pelo estilo surge após o início da sua interpretação.

“O que pensamos antes de cantar a morna é diferente do que vamos pensar e sentir quando começarmos a interpretá-la”, disse Rosa, contando que no início não gostava do estilo, mas hoje, é o que mais sente-se à vontade em interpretar.

“Se estamos a negar a morna, que é a identidade do nosso povo, estamos a negar a nós mesmos, a nossa raiz”, finalizaram.

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