Esta opinião foi partilhada com a Inforpress pelos compositores Fernanda Burgo, Fernando Morais e João Duarte, hoje, dia em que se celebra o Dia Mundial do Compositor.

Fernanda Burgo reconheceu que nos dias de hoje, os desafios “são vários”, mas destacou que basta houver “dom e gosto” pela composição fica mais fácil compor.

O que dificulta, assinalou, é a falta de um estúdio musical para gravar ou mesmo um produtor mais experiente que poderia fazer uma revisão ou dar “algum toque” naquilo que é escrito.

Fernanda Burgo explicou à Inforpress que normalmente compõe “em ocasiões especiais” ante àquilo que chamou de “crise de compositores”, uma vez que “os mais antigos ou faleceram ou partiram para a emigração”.

Normalmente, realçou que faz composições para o Carnaval, de acordo com o tema de cada ano, como já fez também o hino de São João, que é entoado todos os anos pelas festas do município, para além do um hino dedicado aos professores.

Já produziu temas musicais de Carnaval para o grupo Intervila, Vila Nova, cidade da Praia, por vários anos.

Mas, além destas composições, declarou que há “algumas mornas sobre a Brava, alguns poemas que ainda têm guardado”, por falta de “coragem, meios para divulgá-los e a segurança de que vão ao encontro do gosto do público”, tendo em conta a inexistência de produtores na Brava.

Um outro produtor, que defende esta mesma versão, é o Fernando Morais, que diz que faz composições de diversas índoles, mas o que produz e interpreta em termos de géneros musicais é o rap e os outros compõe para outras pessoas interpretarem.

Sobre o rap, defendeu que escolheu-o como um “estilo de prioridade” porque acha que lhe dá mais liberdade de retratar certas coisas.

Além da falta de um estúdio profissional, defendeu também que na ilha o que dificulta mais os compositores é a “falta de divulgação e valorização” do trabalho feito.

Assim, sugeriu que a câmara municipal deveria fazer um projecto onde lançava álbuns com artistas locais.

Neste quesito, deu exemplo de um projecto materializado há já alguns pela Câmara Municipal de Santa Cruz, salientando que destes álbuns e do “Todo Mundo Canta”, realizado no município, “saíram muitos artistas como o Tairo Costa, Elida Almeida, César Sanches, entre outros”.

Já João José Duarte, além de compositor, é membro da Brava 7Luas Band, que conjuntamente com outros colegas faz músicas para o grupo.

Mesmo pertencendo a uma banda, salienta as dificuldades que os outros compositores encontram a nível de equipamentos para gravação e produção, acrescentando que na ilha “tudo é amador”.

“Penso que deveria haver um produtor para nos orientar”, disse o compositor, acrescentando que no ano passado o produtor Ney Miranda veio dos Estados Unidos para gravar com alguns talentos da Brava, com o intuito de promovê-los, pois, realçou que na ilha “há talentos, mas sem muitas oportunidades”.

Em termos de reconhecimento e valorização pela população, ambos dizem-se satisfeitos pela forma como as suas composições são “acarinhadas” e como são recebidas, pelo menos na ilha.

A nível das autoridades, dizem que já não acontecem o mesmo, pois “não há divulgação”.
Compor continua a fazer parte das suas expectativas, mas também investir num estúdio e trabalhar na divulgação dos próprios trabalhos e das outras gerações que estão por vir.

Contactada, a vereadora responsável pela área da Cultura, Edna Oliveira, salientou que a Brava é uma ilha que tem e continua a ter na memória vários compositores e lamenta o facto de não ver muitos jovens interessados a enveredarem-se por esta área.

Segundo a mesma fonte, todos os compositores deram os seus contributos e continuam a ser válidos até hoje, porque fizeram valer a cultura bravense para Cabo Verde inteiro e no mundo fora.

Sobre as inquietações levantadas pelos compositores, disse que “raramente” recebe alguma inquietação por parte dos jovens e que não vê “tanto entusiasmo” deles em levar o trabalho adiante.

Mas acentuou que sabe que há pessoas e jovens com talento e capaz, por isso pediu-lhes para “lutarem e fazerem valer os seus sonhos” porque é “algo de bom”, não somente para eles, como para toda a ilha.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.