“A situação é complicada, há DJ que dependiam totalmente dos seus trabalhos no fim-de-semana e no meio da semana, mas agora com esta actual situação os DJ estão apertados. Há DJ que tinham feito investimentos em aparelho novo, outros fizeram empréstimo bancário para investir nos aparelhos e agora estão numa situação completamente caótico”, disse Carlos Fonseca em declarações à Inforpress.

A maioria dos DJ, informou, não estão inscritos no sistema de previdência social, por isso não foram contemplados com os apoios do Governo e como consequência dessa pandemia, neste momento, muitos estão a viver em “extrema carência”.

A associação tem chamado a atenção da classe sobre esta questão e com o início da pandemia reforçaram esse apelo para que os DJ “façam a sua inscrição no Instituto Nacional de Previdência Social”.

“Se tivessem feito a inscrição e pagado as contas com o Estado, neste momento, tínhamos mais poder de chegar à frente do Estado e exigir alguma coisa”, disse, ajuntando que estão à procura de alternativas para beneficiar a classe e uma delas passa por preparar um protocolo com a Sociedade Cabo-verdiana de Música no sentido de ao pagarem pelos direitos autorais também sejam beneficiados.

Alguns DJ que vivem nos Estados Unidos da América têm procurado realizar algumas acções para também apoiarem os DJ com mais carência em Cabo Verde.

O Governo anunciou no dia 29 de Maio, que os eventos culturais serão retomados no dia 31 de Outubro e que a organização dos eventos deve cumprir algumas normas de condições de segurança sanitária.

Entretanto, com os “pés assentes no chão”, a classe dos DJ não está confiante de que a situação vai voltar à normalidade tão cedo, facto que os leva a solicitar um encontro entre o Governo, os DJ, os artistas e os promotores de eventos.

“Queríamos que quem de direito nos ouvissem para que possamos apresentar as nossas sugestões, para que possamos discutir e traçar uma estratégia. Sabemos que esta pandemia não é culpa de ninguém em Cabo Verde, mas são coisas que temos que contribuir para evitar”, frisou.

Todos querem regressar ao trabalho, mas, assegurou, ninguém quer colocar a sua vida, a do público e nem dos seus familiares em risco, por isso, há que analisar como será esse regresso a partir do dia 31 de Outubro.

Os DJ, segundo Carlos Fonseca, também têm estado a contribuir para sensibilizar as pessoas levando informação das autoridades sanitárias sobre os cuidados a ter com esta doença.

Conforme informou, logo que a pandemia chegou a Cabo Verde, os DJ, que foram também um dos primeiros a suspender as suas actividades, procuraram sensibilizar as pessoas colocando música a partir da varanda ou do terraço das suas casas, com os seus próprios recursos, passando mensagens da Delegacia de Saúde para que as pessoas fiquem em casa e respeitem todas as regras estabelecidas.

Considerando que muitos estão “sem alento”, Carlos Fonseca apela às autoridades e à própria sociedade civil a respeitarem o trabalho dos DJ e a darem mais atenção à classe, porque estes “não são boêmios”, mas sim são artistas e animadores.

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