O artista Mário Marta lançou neste mês de dezembro dois singles a solo nas plataformas digitais, mas o seu percurso com na música não é de agora.

“Comecei a cantar profissionalmente em 1998, em Portugal. Estava de passagem por terras lusas e manifestei o desejo de participar num coro gospel. Certo dia, a convite da minha prima e também artista Eneida Marta participei numa aula de canto e depois fui convidado a participar no programa Na Outra Face da Lua. De seguida, surgiu o convite de fazer coro para o artista cabo-verdiano Tó Cruz”, diz e acrescenta que foi com este artista que começou a cantar profissionalmente.

O músico também é conhecido por cantar com os “Shout”, um grupo de gospel fundado pela cantora Sara Tavares. “O grupo viu o programa de Herman José com o Tó Cruz e chamou-me para substituir uma voz grave. Estava como uma criança e passei a noite a tirar a melodia e a fixar as letras das músicas (risos)”.

.Atualmente, para além dos Shout, Mário Marta canta no Gospel Collective e Gospel de Lisboa.

Após 21 anos a partilhar o palco com outros artistas, o cantor decidiu dar início à sua carreia a solo, tendo lançado neste mês de dezembro dois singles “Aguenta” e “Kriol”.

A letra e a música de “Kriol” é da autoria do também cantor e primo Djodje Marta e foi feita há cerca de 14 anos. “Na altura, Djodje queria homenagear todos os emigrantes cabo-verdianos radicados na diáspora e identifiquei-me com a música”.

“Aguenta” é da autoria de Mário Marta, Djodje, Ricardo Pereira, Ricky Man e Kim Alves e contou com a especial participação da cantora Lura.

“Tínhamos que fazer um funaná. Estávamos em estúdio e começamos a colocar o ‘beat’, a música começou a ganhar forma, e o Djodje sentiu a necessidade de fazer um dueto. Todos sugeriram a Lura e ela aceitou. Pediu-me a música e a letra, mas ainda estava a escrever”, conta entre risos.

O videoclip do single foi divulgado no dia 13 de dezembro no YouTube e já conta com mais de 100 mil visualizações. “Sinceramente, não estava à espera. Quando estava a gravar o tema, Djodje disse-me que estava com alma de funaná e que o ‘Aguenta’ iria fazer muito sucesso”.

“O feedback do público é surreal. Nunca tinha feito um trabalho e é incrível como muitas pessoas conhecem-me e com estes singles sentiram-se mais à vontade para se aproximar e falarem comigo. A aceitação tem sido incrível e todos os dias recebo mensagens dos meus fãs”.

No que se refere à parceria com Lura, o músico diz que foi fantástica. “Lura é aquele portento vocal, de expressão, é atriz, (...). No início, ela estava receosa porque está a gravar um novo álbum e não queria lançar nenhum trabalho antes. Depois viu que não haveria problema”.

Para além da parceria com a Lura, o cantor revelou ao SAPO que tem uma surpresa para os fãs. “Há uma surpresa que já foi gravada. É também de peso”.

2020, o ano de Mário Marta

Mário Marta ambiciona lançar o seu primeiro álbum/EP a solo no primeiro ou, o mais tardar, no segundo trimestre de 2020.

“Para mim é uma bênção. Há muito tempo que as pessoas estão à espera de um disco meu, mas nunca tinha sentido a necessidade de gravar. Tinha que acontecer naturalmente e no momento certo. Já tenho material para dois álbuns, mas para já a minha estratégia é lançar singles e conforme a aceitação do público vou compila-los num EP/álbum”.

O primeiro trabalho discográfico do artista vai ser constituído por seis singles nos ritmos funaná, coladeira, batuco e morna. ”Vou ter um batuco de Tibau Tavares”.

Mário Marta ainda não tem um nome para o álbum. “Já tenho várias ideias, mas deixo para que o próprio álbum me diga”.

No que se refere à agenda, o músico, que gosta de cantar à capela, diz que de momento está a trabalhar com Djodje e tem vários shows por realizar com a produtora Broda Music que vai comemorar 10 anos de existência com um show no dia 20 de dezembro, na cidade da Praia.

“Vou apresentar os singles “Kriol” e “Aguenta”, bem como uma morna e um batuco. O espetáculo está muito bem montado e com arranjos novos. É o culminar de 10 anos de muito esforço, trabalho e sucesso”.

Melhor divulgação da morna

Recentemente, a morna foi classificada pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade. Para o artista, que em 2018 participou no evento “Orgulho Nacional” que teve como objetivo divulgar este género musical por várias cidades europeias, a partir de agora as entidades têm de criar condições e reunir esforços para divulgar a morna de outra forma.

“Vejo muitas pessoas a reclamarem que no país não há um sítio onde possam ouvir morna todos os dias. Agora a morna tem que obedecer determinadas características pelas quais foi classificada Património Mundial. Como Paulino Vieira diz ‘a riqueza do nosso povo não é o milho e nem o ouro, mas sim a melodia’. É a melodia da morna”.

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