Vai atuar no B.leza no Dia dos Namorados. Qual a importância deste dia?

Não comemoro, para mim é todos os dias. Mas, uma vez que a data existe, nada melhor do que ir ao B.leza comemorar e assistir a este espetáculo.

O que vamos ouvir?

Vou levar uma novidade. Além de temas meus originais, vou ter a companhia do grupo Gospel Collective, que vai interpretar temas de gospel, mas num estilo mais afro. Vamos levar um reportório mais afro, por se tratar de um espaço como o B.leza e por achar interessante este estilo. O público vai poder dançar, ouvir harmonias diferentes daquilo que costuma ouvir, vozes a cantarem "a capella" e instrumentos com ritmos africanos.

E do seu repertório o que vai apresentar?

Temas compostos por mim. O meu estilo é mais mistura, não é específico. Podem conhecer melhor no dia 14 no B.leza.

Porque devem ir dois apaixonados ver o espetáculo?

Porque vão para um ambiente em que estaremos a celebrar o amor em toda a sua plenitude. A música gospel é o evangelho cantado. E num ambiente onde se canta o amor qualquer casal deve estar, para fortalecer os seus laços e passar ali um bom momento.

Associa as suas músicas a momentos de amor pessoais?

Canto sempre o amor. Não tanto histórias ou paixões minhas, tento é cantar histórias que ouço.

O que é o romantismo?

É quando despertamos aquilo que nos vai na alma e conseguirmos partilhar esse amor. Mesmo que não seja uma coisa entre um homem e uma mulher. Podemos ser românticos e não termos um relacionamento amoroso.

Como é que a música transmite o romantismo?

Acredito que isso acontece quando o cantor consegue pôr numa melodia naquilo que está a sentir, de forma a poder chegar às pessoas. Ou seja, está a transmitir através dessa música os seus sentimentos ou uma história que queira contar.

É romântica?

Sou uma pessoa que tenta transmitir tudo o que me vai na alma. Até os momentos menos bons. Posso considerar que sou romântica.

Quando despertou para a música gospel?

Sou cantora de gospel desde 1999. Foi através de um convite que me foi feito pelo maestro Carlos Ançã. Fez-me o convite para integrar o grupo que estava formar e desde aí não parei mais. Sempre a cantar gospel. Até que, em 2006, comecei também a dirigir, a ser maestrina. Actualmente, é o que faço também.

A Anástácia que canta gospel é a mesma que canta a solo?

Sou a mesma pessoa que canta gospel e a que tem o projeto a solo num estilo mais de fusão… Além do gospel, tenho também a influência de outros estilos musicais de grupos com os quais trabalhei e não só, são estilos que eu aprecio, como reggae, funk, rock, soul. Influências de bandas como os Mercado Negro, Rui Veloso, Bonga, entre outros. Então, quando componho, tenho todas estas referências musicais que se refletem na minha música e quero que a essência da mensagem do gospel esteja no que eu canto, quero levar o amor e a esperança às pessoas através da minha música.

É religiosa?

Acredito em Deus e em Jesus.

Com que idade começou a cantar?

Sempre gostei de música, desde criança. Houve uma altura, em 1991, em São Tomé e Príncipe, que tentei estudar música, mas depois tive de parar. A nível profissional, comecei a cantar em 1999, em grupos corais de gospel. Depois, passei a acompanhar bandas como "back vocal". Trabalhei com o Bonga, os Tabanka Jazz e o Rui Veloso. Em 2013, decidi começar a cantar a solo.

Para quando um disco seu?

Tenho alguns temas gravados e o ano passado lancei um videoclip. O disco é um objetivo que espero alcançar o mais breve possível, ainda este ano. Já devia ter sido o ano passado, mas se ainda não aconteceu é porque não era a altura. Talvez precise de amadurecer em alguns aspetos. No momento certo vai acontecer, da melhor maneira possível, sem pressas. Quero fazer as coisas de uma forma mais madura.

Que profissões já teve fora da música?

Antes de entrar na música estudei Administração e Turismo. Trabalhei na área do turismo alguns anos, como agente de viagens, paralelamente à música. Com o tempo, as coisas foram-se organizando e a música ficou mais presente.

Nasceu em Luanda e viveu entre São Tomé e Príncipe, Angola e Portugal. Que recordações guarda da sua infância e de que forma estes países influenciam a sua música?

Muitas. Nasci em Luanda e vivi lá até aos seis anos. Como os meus pais andavam sempre de um lado para o outro, eu viajava com eles. O meu pai foi músico em São Tomé. Tinha uma banda e tocava rabeca. Entretanto, por motivos familiares e profissionais, deixou a música de lado. Tenho memórias do meu pai em casa a cantar e a tocar com os amigos. Sinto-me sempre dividida entre estes três países e sinto cada país de forma diferente. A minha música é isso mesmo, a mistura destes países.

Gostava de atuar em Angola e voltar a atuar em São Tomé e Príncipe?

Gostava muito de atuar em Angola e S. Tomé e Príncipe. Se Deus quiser, espero que isso aconteça. Cantar nos países que me viram crescer.

Os seus filhos têm ligação com estes países?

Os meus filhos, dois rapazes, de seis e oito anos, nasceram em Portugal, mas tento dar-lhes os meus conhecimentos sobre Angola e São Tomé e Príncipe, na gastronomia, nas línguas e nas histórias de família. O pai também é angolano. Por isso, têm muitas ligações.

Quais as suas referências da música angolana e são-tomense?
Tenho registo de cantores e bandas que cresci a ouvir… O Bonga, por exemplo, uma das pessoas com quem colaborei e tenho o privilégio de estar com ele, conversar sobre a música e a cultura de Angola. Também tive o prazer de colaborar com alguns cantores são-tomenses como Filipe Santo e Tonecas Prazeres. E os meus pais ouviam muita música são-tomense.

O que ser maestrina lhe dá que não obtém enquanto cantora?

Estar no papel de maestrina é bem diferente. Tenho de ter noção de tudo o que se está a passar em palco. As vozes do coro, a banda, estabelecer a comunicação entre todos em palco, comunicar com o público. Ter noção de tudo o que se está a passar naquele momento. E gosto disso. É algo que me completa. Também gosto de ser cantora. São papéis diferentes, mas gosto de ambos.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.