Moussa Soumbounou fez estas considerações durante a conferência sobre “Em turnê pela África – uma verdadeira oportunidade”, que aconteceu ontem, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na Cidade da Praia, no último dia do Atlantic Music Expo (AME).

“O continente africano, embora subestimado, é um mercado em crescimento contínuo e tem grandes oportunidades para os artistas deste território”, salientou o produtor.

Para se ter um bom turnê, sugeriu, é necessário levar em conta o circuito, fazer a promoção real da mídia, a compreensão da diferença entre a África francófona e anglófona ou a real necessidade de colaborações pan-africanas para conectar territórios, apontou.

Moussa Soumbounou, que já trabalhou com artistas lusófonos como Custuleta, Tiririca, Mulher Melancia e Kaisha, defendeu que há muito trabalho a fazer a nível dos produtores e que é necessário criar uma rede para que estes possam saber o que se passa com os artistas de outros países.

Segundo disse, os artistas cabo-verdianos, apesar da sua aproximação com o continente africano, continuam a dar preferência ao mercado lusófono.

Entretanto, para os que têm interesse em fazer tournée dentro deste continente recomendou-os a criarem vínculos e simpatias com outros artistas africanos, procurar entrar em contacto com os produtores africanos, uma vez que, “África é um mercado receptível e está aberto”.

Fez saber que a sua produtora está aberta e que quem estiver interessado pode fazer parceira a nível da produção, edição, distribuição e produção de espectáculos.

Neste momento, avançou, a sua empresa está interessada em trabalhar com um grupo cabo-verdiano, que represente bem o país, por isso promete voltar ao arquipélago para estabelecer uma parceria com uma produtora local.

Presente na conferência, o artista cabo-verdiano Ga da Lomba disse à Inforpress que não vê limites para a música, porque ela é uma “linguagem universal” e, por isso, tem todo o interesse em conhecer a sua origem e apresentar o seu trabalho no seu continente.

“Os europeus estão a vir para África e nos estamos indo para Europa, então porque não fazermos em nossa casa também”, questionou.

Ga da Lomba afirmou que essa conferência tem sido enriquecedora porque é uma forma de ganharem conhecimento sobre as diversas oportunidades que existem, não só no continente africano, mas também na Europa e na América.

Por sua vez, a cantora brasileira Mel Mattos, que está em Cabo Verde num tour como o seu álbum “Demode?!” e a participar das conferências da AME, adiantou que tem todo o interesse em estar no mercado africano, porque “a música não tem fronteiras e ela precisa ser difundida em todos os continentes”.

Cabo Verde foi o primeiro país africano onde esta cantora com 10 anos de carreira actuou, mas, a partir daqui, afirmou, está a conseguir abrir um novo horizonte para novos passos dentro deste continente.

“Comecei a ficar mais apaixonada pela África através de Cabo Verde. O povo africano tem um pouco do claro do povo brasileiro, então acredito que a minha música pode chegar a África como um olhar diferente e mais próximo”, afirmou.

Depois dessas conferências, o palco de Txom di Morgado do Palácio de Cultura recebeu actuações dos músicos cabo-verdianos Cris Pereira e Djilou e Banda.

Dando continuidade ao AME, logo mais à noite, é aguarda a actuação de Beth & Patrícia Carvalho (Cabo Verde), Tiloun de Reunion, Miroca de Paris (Cabo Verde) no palco da Rua Pedonal, enquanto o palco da Praça Luís Camões recebe as vozes de Mariama, Elida Almeida (Cabo Verde) e Bongeziwe (Àfrica de Sul).

Depois dessas actuações, o AME cede lugar a 11ª edição do Kriol Jazz Festival, cuja abertura será feita pela fadista portuguesa Cuca Roseta e pelo músico cabo-verdiano Mário Lúcio e o grupo Simentera.

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