Através de uma nota a que a Inforpress teve acesso, o Governo salienta que Alex Silva foi “um dos mais reputados” artistas plásticos de Cabo Verde e marcou uma “presença activa” na Feira Nacional de Arte, Artesanato e Design (URDI), que acontece anualmente em São Vicente.

“Alex da Silva inscreveu o seu nome em diversos trabalhos que já liderou, principalmente na Holanda, terra em que realizou todos os seus estudos em Arte e Arquitectura,” lê-se no documento.

Alex Silva, de nome próprio Alexandre Silva Barbosa Andrade, morreu segunda-feira, 30, no Hospital Baptista de Sousa, no Mindelo, para onde tinha sido levado após se sentir mal durante um jogo de basquetebol com amigos.

O artista plástico, que nasceu em Luanda, Angola, era filho de pais cabo-verdianos e chegou a Cabo Verde ainda bebé em 1975, altura da independência nacional.

Cresceu na zona de Alto Mira Mar e voltou a sair de Cabo Verde para fazer estudos superiores, primeiro biologia marítima, depois arquitectura e em seguida o curso de mestrado em belas artes e crítica na Holanda, este último que ditou a sua vida artística e profissional.

Depois de regressar a São Vicente fundou a Galeria Zero Point Art como forma de “mostrar e retribuir o seu amor para a ilha”.

Em Novembro, por altura das celebrações do 10º aniversário da galeria, Alex Silva disse à imprensa que esses dez anos têm sido de “resistência”, porque apesar de “não ser um projecto sustentável”, a galeria é projecto concebido “com muito amor”.

Destacou também o facto de a galeria oferecer durante esses dez anos, uma programação “muito selectiva, muito rica”, com partilhas entre músicos e poetas e sessões de ‘spoken words’ entre outras actividades com o objectivo de “estimular” o pensamento.

Em Novembro, promoveu na sua galeria a 2ª edição da extensão do CineEco, o mais antigo festival de cinema ambiental de Portugal, durante a qual apresentou filmes mais adaptados à realidade de Cabo Verde e para a 3ª edição já tinha projectos de trazer filmes ganhadores de prémios daquele festival em parceria com o Cineclube dos Açores.

A sua última exposição “Narrativas Intempestivas”, também fez parte das comemorações da Galeria Zero Pont Art,  uma partilha que fez com o público para comemorar os dez anos da galeria e mostrar o seu amor por Cabo Verde.

“Tenho um amor infinito por Cabo verde e tenho vontade em partilhar o meu trabalho sem fazer inaugurações”, finalizou na altura o promotor da Galeria Zero Point Art.

O artista plástico também construiu em Nieuwe Maas, na Holanda o Monumento à Escravidão que foi inaugurado em 2013, para comemorar os 150 anos da abolição da escravidão.

Na obra, o artista projectou “escravos dançantes” no topo de um navio na forma de uma tecla de música, inspirado num cartaz da companhia de dança Conny Janssen Danst.

“A dança não é apenas libertadora, ela reúne culturas. É um símbolo musical, como expressão cultural da dor. Assim como o jazz vem da escravidão,” disse Alex Silva, na altura, ao AD Rotterdams Dagblad.

O funeral de Alex Silva será realizado, hoje, às 16:30, a partir da Galeria Zero Point Art na rua Unidade Africana, no centro da cidade do Mindelo.

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