O dossiê da candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade “muito propalado” por seu antecessor não passava de “publicidade enganosa”, revelou à Inforpress o ministro da Cultura, Abraão Vicente, afirmando que agora o mesmo é prioridade.

Abraão Vicente fez estas revelações em uma entrevista exclusiva à Inforpress, para fazer uma avaliação dos 100 dias do Governo, afirmando que este dossiê é prioridade do seu ministério e que já deu “recomendações claras”, de que este é um processo “prioritário”, ao Instituto do Património Cultural (IPC), que conta com uma nava equipa.

Do seu antecessor, avançou que encontrou um processo sobre esta candidatura de 14 páginas, que, no seu entender, estava incompleto e sem uma programação para se ouvir, estudar e documentar a Morna, reiterando que não há candidatura.

“Não há, nunca houve e não há nenhum processo junto da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), nenhum processo por parte de Cabo Verde para candidatura da Morna a Património da Humanidade”, assegurou.

Em outubro de 2015, a diretora do Património Imaterial, Sandra Mascarenhas, tinha dito publicamente que acreditava que o processo de candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade iria estar concluído já no final do ano passado.

Na altura, apesar de reconhecer a complexidade do dossiê, garantiu que os técnicos do Instituto do Património Cultural têm competência e experiência suficientes para apostar numa candidatura vencedora.

Segundo a historiadora, naquele momento estava a decorrer o processo de inventário de todos os aspectos ligados à Morna que iriam constar do dossiê de candidatura, um documento que poderia ser apresentado à UNESCO em março deste ano.

Sandra Mascarenhas indicou igualmente que o processo de candidatura estava a ser trabalhado desde meados de 2013, pelas comissões científica, de honra e de salvaguarda, criadas pelo Ministério da Cultura, às quais se juntou o IPC, responsável pela elaboração do dossiê de candidatura.

Recorde-se ainda que Abraão Vicente tinha afirmado que este processo não tinha sido mencionado durante o processo de passagem de pasta.

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