Em declarações à Inforpress, Solange Cesarovna classificou 2018 com um ano “extremamente positivo” e “muito produtivo”, destacando a materialização de um plano de ação “intenso e consistente”, em que, para além de executar as atividades programadas, foram surpreendidas com várias oportunidades por fazerem parte da Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (CISAC).

Como membro da CISAC, apontou, durante o ano transato a Sociedade foi contemplada na agenda de cooperação da CISAC, para além de acordos de parceria e de amizade com entidades congéneres da SCM.

“Conseguirmos não só o inicio de acordo de reciprocidade para a defesa dos nossos criadores, autores e músicos além-fronteiras em diferentes países, mas também conseguimos juntos com esses parceiros perceber como é que também a SCM pode ser ajudada por essas sociedades que têm uma larga experiência”, acrescentou.

Ainda fazendo uma retrospetiva do ano, lembrou que em janeiro houve a assembleia eletiva, em que os órgãos sociais foram reeleitos, foi feita a primeira distribuição simbólica na rubrica de execução de música ao vivo, no quadro da primeira celebração do Dia Internacional de Autores, que se comemora anualmente no dia 23 de abril.

Outro evento inédito realizado foi a gala de noite de autores em que durante este espetáculo musical, 75 por cento dos autores convidados deram a voz às suas próprias composições.

“Podemos mostrar que sim, os artistas são fundamentais para que as músicas possam ter os voos que merecem, mas se não fossem criadas, se não houvesse autoria, seria impossível qualquer outro voo ou divulgação, porque não haveria conceção”, disse, assegurando que o autor é que mais sofre” com a falta de reconhecimento e de remuneração, quando o setor dos direitos dos autores não está a funcionar.

No ano de 2018, apontou, as cobranças aumentaram, com o licenciamento de novo usuários, como o Atlantic Music Expo e o Somos Cabo Verde.

Ainda se deu inicio ao licenciamento em outros setores que são usuários da música, como é o caso do setor hoteleiro. Os Hotéis Odjo d´Agu e Santa Maria foram os primeiros a dar esse passo.
Para 2019, com o código de cobrança da SCM consolidado e aprovado, Solange Cesarovna afirmou que o foco vai ser na cobrança, com a entrada em vigor do código.

“Vai ser um ano focado nas cobranças e na partilha do código com todos os usuários e com todos que têm de solicitar licença para poderem utilizar a música e a propriedade intelectual dos nossos criadores”, sublinhou.

Ainda no que toca à cobrança pela propriedade intelectual, a partir de 2019, as rádios e as televisões de Cabo Verde vão começar a pagar pelas músicas que usam nas suas programações.

Para este ano, a Sociedade cabo-verdiana de Música tem agendado o primeiro encontro das comitivas do Comité Executivo das Sociedades Africanas de Autores (CECAF) e do Conselho Internacional de Criadores de Música (CIAM), que vai abordar os direitos de autores na área da música.

O encontro está dividido em dois momentos e vai se realizar na Cidade da Praia e no Mindelo, de 24 a 30 de janeiro.

Assim, estão previstas duas ações de formação, uma na Praia e outra em São Vicente, nos dias 24 e 25 de janeiro de 2019, respetivamente, e reuniões oficiais nos dias 26 e 27, na Praia, e a reunião entre CECAF E CIAM, no dia 28, com a participação de convidados, que são embaixadores especiais dos direitos de autor no mundo.

Este encontro, informou, vai ainda privilegiar a formação de músicos e autores cabo-verdianos na área dos direitos autorais, bem como estreitar as relações com alguns embaixadores dos direitos de autor no mundo, que também se farão presentes no evento.

Estarão presentes gestores das sociedades de autores do Madagáscar, Burquina Faso, Uganda, África do Sul (que tem a presidência do comité executivo da CAF), Argélia, Ruanda e Camarões.

No âmbito do melhormente da sua estrutura, a SCM está no processo da montagem do departamento tecnológico, que conta com a assessoria da CISAC, na procura de melhor software para uma sociedade que está no inicio do seu trabalho.

“Vamos ter a indicação com qual congénere é que vamos fazer o acordo para que nos licenciem a utilização deste software, uma vez que construir uma de raiz, que é prática de muita sociedade com recursos e equipas, não vai ser possível”, disse, assegurando que em 2019 vão ter este software a funcionar, com apoio dos parceiros nacionais e do Governo.

Ainda para esse efeito, em 2019 vão formar os técnicos, com apoio de parceria internacional, para que possam conhecer realmente como é que uma entidade de gestão coletiva funciona.

Assegurou que todos os departamentos (tecnológico, operacional, jurídico) vão estar operacionais para que toda a parte da documentação e a parte da cobrança possa estar de acordo com as práticas de uma entidade de gestão coletiva.

“Quando esse departamento estiver a funcionar, nos conseguiremos convidar as nossas entidades para fazermos encontro de contas e o momento da transferência a nível internacional, porque eles têm um valor preparado para enviar para SCM e que justamente vai também demonstrar qual foi o valor da utilização da obra dos cabo-verdianos além-fronteiras e que tem que ser remetido para Cabo Verde, para ser distribuído aos músicos”, perspetivou.