Cerca de dez horas de música e animação ‘non stop’ foi assim o segundo e último dia do festival Badja ku Sol que este ano completa 10 anos. Pelo palco do evento que acontece na cidade da Praia passaram vários artistas de renome como Grace Évora, Beto Dias e Gil Semedo.

Apesar de estar marcado para arrancar às 14h00, o segundo dia do festival começou por volta das 15h00 com animação do Dj Axel. Seguiu-se uma apresentação de acrobacia com o grupo Enigma, que deu lugar à dança com Yamina, grupo Corpo e Mente e as meninas do 3MS.

O anfitrião do evento foi o MC Bife, como aliás já é habitual, que manteve o público animado ao longo do dia e mais tarde noite.

Por volta das 16h30, o areal do Gamboa ainda estava com pouco público para receber as vibrações do Carnaval de S. Vicente na voz de Constantino Cardoso e da sua banda. Aos poucos, a audiência foi aumentando e alguns até começaram a sambar ao ritmo de temas bem conhecidos como "Nação Montsu", "Rainha da Noite" (do Samba Tropical), entre outros.

Apesar de enaltecer o facto do festival começar cedo, no final, o cantor e compositor mindelense lamentou a chegada tardia do público. Constantino Cardoso adiantou ainda ao SAPO que tinha planeado lançar um álbum de música tradiconal este ano, mas que só vai ser possível concretizar este projeto em 2019.

Já perto das 18h00 foi a vez do salense Dynamo voltar ao areal do Gamboa acompanhado da banda XL. “Encaixa”, “Tequila” “Poderosa”, “Princesa”, foram alguns dos temas que o cantor interpretou em palco e que o público acompanhou a cantar.

No final, o cantor que confessou que estava ansioso para voltar ao areal do Gamboa, afirmou que foi motivador ouvir o público vibrar e que vai regressar a Lisboa (cidade onde reside) renovado após a recepção que teve em Cabo Verde.

Num dia em que os homens estiveram em maioria, Blacka foi única cantora a subir ao palco nesta que foi a sua estreia no evento. Sempre com uma mensagem de paz, a cantora confessou estar emocionada. Aproveitando a presença do MC Bife, a artista interpretou o tema “Sabura na Bóia”, entre outros hits como “Nos ki tem”, Música do Ano, nos CVMA 2018.

Aliás vencer três galardões nos Cabo Verde Music Awards 2018 teve um impacto positivo a nível profissional confidenciou a cantora no final da sua apresentação. Visivelmente satisfeita, Blacka afirmou ter gostado muito da sua estreia do Badja ku Sol.

Seguiu-se a atuação de Lejemea, que interpretou vários temas dos mais quentes como “Fugi Regra”, “Dja bu viciam”, “Abusa di mi”, ao funaná, o cantor conquistou a plateia, principalmente no feminino, do início ao fim do show.

Em declarações à imprensa, Lejemea confessou que atuar na 10ª edição do evento teve um sabor especial e que estava ‘super feliz’ com a sua atuação.

Vindo diretamente de Lisboa, onde celebrou 30 anos de carreira, num show que classificou mais tarde de memorável, o cantor, compositor e baterista Grace Évora interpretou para o público praiense vários temas que marcaram o seu percurso na música.

Em palco, o músico que esteve em palco acompanhado pela sua banda de Holanda, não esqueceu de homenagear algumas das bandas que marcaram a sua carreira como os Livity, Rabelados, Tubarões, entre outros.

Tanto Dynamo como Lejemea juntaram-se ao músico em palco para interpretar os temas “Cab verdiana” e “Ka kre fika”, respetivamente. Como não poderia deixar de ser, a atuação de Grace Évora terminou com “Lolita” com um público a cantar aos berros.

O cantor afirmou estar satisfeito com a atuação desta noite e que ambiciona trazer o show dos 30 anos de carreira à cidade da Praia e ao Mindelo, caso haja parceiros para tal. Sobre o mais recente álbum “2069”, Grace Évora mostrou-se contente por este estar a ter uma boa aceitação junto do público.

Já perto do final, foi vez de outra voz bem conhecida do público subir ao palco – Beto Dias. O artista natural de Santiago também viajou no tempo e apresentou sucessos mais antigos como “Mamai”, “Ki vida”, “Totalmente di bo”, “Sim Sabeba” aos mais recentes como “Agora Siguin”.

Este último tema vai fazer parte do novo trabalho do artista que este pretende lançar até ao final do ano, afirmou ao SAPO no final do show. Beto Dias disse ainda que alguns dos momentos do festival vão ficar na memória como é o caso dos fãs mais jovens que conheciam as letras das músicas todas.

A noite terminou em grande para delírio dos fãs de Gil Semedo, que apesar de já passar das 00h00 não arredaram pé do areal para ver o “Nos líder” atuar. “Gil, Gil, Gil”, gritava o público, ovacionando o cantor que subiu ao palco vestido a rigor  com as cores da bandeira de Cabo Verde.

“Sweat Honey”, “ Bye bye, my love”, “Jantar”, “ Suzy”, dezenas de temas que marcaram a carreira de mais de duas décadas foram interpretadas pelo cantor que encerrou o vento já as 02h00 da manhã.

Manter a fásquia elevada

Fazendo um balanço positivo dos dez anos do festival, Hernídia Tavares, diretora de Marketing e Comunição da Cavibel (organização), afirmou ao SAPO que a organização tem procurado manter a fásquia sempre elevada e tentar superar-se de ano para ano, facto que já se torna difícil perante a exigência do público.

Depois de ter cumprido um dos objetivos das edições anteriores que foi conquistar a entrada de Cabo Verde para o livro de recordes da Guiness, facto almejado com a maior cachupa do mundo, a representante da organização explicou que o objetivo este ano foi trazer outras inovações.

É o caso do quadro/mural com as caras de todos os artistas que passaram pelo palco e que foi pintado pelo artista plástico Hélder Cardoso durante o evento, um recordação desta edição que celebra uma década do festival.

Outra inovação foi a possibilidade de se trocar copos e garrafas de plástico por um copo acrílico, ‘souvenir’ da 10ª edição.

No que diz respeito a números, a responsável afirmou que na noite anterior, sábado, passaram pelo certame cerca de 20 mil pessoas.

Questionada sobre se o evento vai continuar a ser pago, Hernídia Tavares explica que sim. “Vai continuar a ser pago porque queremos garantir a segurança”, adianta e acrescenta que a “segurança tem um preço”. “Para além da Polícia Nacional, reforçamos com segurança privada, com militares e com a Guarda Municipal. Daí este valor ( 200 escudos).

A representante deixa também um apelo para que o público compareça mais cedo ao recinto. “A cada ano, as pessoas chegam mais tarde, mas o conceito do festival Badja ku Sol é diferente. Por isso, apelo o público para que nos ajude a manter este conceito”.