Natural da Praia, aos 11 anos, Paulo Bettencourt mudou-se com os pais para a ilha do Sal. A música esteve sempre presente na família, desde o pai que foi integrante do grupo Simentera até aos tios e primos que também estão em áreas ligadas.

Desde a adolescência, começou a fazer festas com os amigos. Interessou-se pela produção de artistas ainda nem tinha 18 anos. “Lembro-me até hoje que o meu primeiro agenciamento de um artista foi com o Paulo Block (artista mindelense)”, conta com um sorriso.

Os estudos foram ficando de lado. Segundo Paulo, ainda tentou o ensino nocturno mas acabou por se dedicar exclusivamente à produção. Sabe que foi difícil para os seus pais aceitar esta opção.

Surgimento da Smile Eventos

Em 2011, surgia oficialmente a “Smile Eventos”, empresa de agenciamento e produção de eventos. Só no primeiro ano, Paulo conseguiu trabalhar com artistas como os Makongo, Lucenzo e ainda Patrice.

“O nosso primeiro artista, a nível de management, foi o Dani Santoz com o álbum “Bom Sinal”, revela.

Hoje emprega mais duas pessoas e tem em carteira com vários nomes da música nacional como o Tiolino do Sal, o rapper Batchart, Uziel Sança, novamente o Dani Santoz. “Trabalhamos com a agenda dos Tabanka Djaz”.

Paulo Bettencourt produz actualmente o palco “Urban Stage” no Atlantic Music Expo (AME), um mercado anual de música que acontece na cidade da Praia e que tem colocado Cabo Verde no mapa da world music a nível mundial.

Produção do Santa Maria

Em 2013, a Câmara Municipal do Sal abriu um concurso público para a realização do festival Santa Maria. Paulo e a sua empresa concorreram. “Perguntaram-me se estava louco”, conta hoje com um sorriso.

Apesar de não ter vencido o concurso nessa edição, a Smile Eventos tornou-se parceira da edilidade em outras festividades municipais. Um projecto que, segundo o jovem produtor, superou todas expectativas.

No ano seguinte, quando a câmara “recuperou as rédeas do festival”, Paulo foi contactado pelo vereador do pelouro da cultura, Ildo Rocha, para apoiar na produção do evento.

Depois do teste da edição de 2014, a 25ª edição do festival traz responsabilidades maiores. “Este ano temos bandas mais exigentes, como os Kassav e o Anthony B. Ou estás realmente neste mundo ou terás muita dificuldade em lidar com estes artistas”.

Ao longo destes anos na produção de eventos, Paulo revela que o maior desafio foi “aprender o máximo possível”. “Não digo que sou um autodidacta, sou um curioso”.

Para Paulo Bettencourt, o sucesso não seria possível sem o apoio da família e dos amigos e colegas.

Hoje cada projecto continua a ser um desafio, apesar de Paulo revelar que o mundo da produção é cansativo e impede-o, muitas vezes, de acompanhar o crescimento da filha de cinco anos.

Daqui a 20 anos

Questionado sobre como se vê daqui a 20 anos, Paulo Bettencourt, revela que por motivos pessoais, após os compromissos deste ano, vai pensar se vai ou não continuar nesta área. Contudo, caso continue, espera que daqui a 20 anos, as políticas culturais para a área da produção musical sejam melhores e valorizem mais os profissionais deste ramo.

“Espero que um dia, a minha filha tenha um diploma nesta área e, quem sabe, realize a 50ª edição do festival e eu estarei lá para ajudar”, afirma.

Deixa um conselho para os mais jovens que estão agora a entrar neste mundo: “É impossível ter sucesso sem paixão. Este mundo, ao contrário do que muitos pensam, não é um dinheiro fácil”.

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