Chico Serra, o músico multi-instrumentalista, afirmou em entrevista que a música tradicional de Cabo Verde deve ser mais valorizada. E, quando questionado sobre o cartaz essencialmente nacional que tem vindo a ser criticado, o mesmo justifica que Cesária Évora cantava mornas e coladeiras e nada mais justo que um cartaz maioritariamente nacional para sua homenagem.

A homenagem

O momento auge da noite foi a sentida homenagem do grupo, composto por Tito Paris, Sara Tavares, Nancy Vieira, Albertino Évora, Nilza Xalino, Bonga e vários elementos da banda que acompanhou a carreira da cantora.

Com o propósito de recordar o legado imensurável deixado por Cize, os artistas juntaram-se para interpretar um conjunto de canções outrora por ela cantadas. Harmonia, emoção e sintonia quer nas interpretações a solo como nos duetos, despertaram as emoções do público que aderiu em massa a essa homenagem.  

Dentre os temas apresentados destacam-se “Largame irmon”, executado por Tito Paris; “Angola” e “Mar azul”, na voz de Sara Tavares, e “Mamãe-velha” e “Minininha di morada” por Albertino Évora.

No final, todos os artistas subiram ao palco para cantar “Sangue de Beirona”.

Brasil, Neto e Reggae

Após a homenagem prestada àquela que foi considerada a rainha da Morna, a Banda Pirata invadiu o palco com uma interpretação de “Sodad” e vários temas da moda como “Tchu, tcha, tcha” e “Ai se eu te pego” que fizeram sacudir o areal da Baía.

Foi no compasso de ritmos brasileiros como o axé, samba funk, forró que os presentes nessa noite provaram ao grupo, que veio da cidade de Fortaleza, que o mindelense está preparado para acompanhar o gingar brasileiro.

Jorge Neto subiu, posteriormente, ao palco com o seu estilo habitual e peculiar chamando posteriormente o seu filho Jorge Neto Jr.. Ao longo da actuação percorreu os temas de sucesso da sua carreira.

Teve ainda tempo para prestar homenagem à Cesária Évora, pedindo à multidão um minuto de aplausos para Cize, àquela que considera “a mãe” da música de Cabo Verde, justificando que um minuto de silencia não se coaduna com o espírito alegre e festivo que caracterizava a diva dos pés descalços.

Antes de abandonar o palco avançou aos fãs que está na forja um novo trabalho discográfico, faltando apenas duas músicas para que esteja no mercado.

À semelhança da edição anterior o grupo mindelense Domu Áfrika Dub Squad encerrou na madrugada de domingo o segundo dia do festival ao ritmo do seu denominado reggae rock, interpretando canções como “This Land”, “Es ca ti t’oiá”, “Nô sanhá” e “Sounds of freedom”. Apesar do raiar do dia os habituais resistentes não arredaram pé à medida que o raggae rock ia ganhando contornos de coladeiras reggae. Boy G. Mendes também se juntou à banda para interpretar alguns temas.

A ameaça de chuva não manchou a afluência do público que no segundo dia encheu o areal da praia da Baía das Gatas sem registo de grandes incidentes a nível de segurança. O último dia terá um cartaz 100 por cento nacional.

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