“Pessoal, preparem-se porque vamos ter “kotxi pó””, foi assim que começou a apresentação da segunda noite do festival da Gamboa 2017. Os Fidjos de Codé di Dona tiveram a honra de abrir o segundo dia do festival Gamboa por volta das 22h25.

A plateia já se encontrava composta e os presentes acolheram calorosamente a dupla de irmãos do interior de Santiago que fez o público dançar ao som do ferrinho e da gaita (acordeão).

“Praia Maria” foi um dos temas interpretados em homenagem à cidade capital que completou ontem, dia 19, 159 anos.

Para os irmãos Adelino Ferreira Vaz e Emílio Letício Ferreira Vaz, mais conhecidos por Dá e Ticho, abrir o segundo dia do festival da Gamboa foi um sonho realizado. O mais velho, Ticho explicou à imprensa que o género “kotxi pó” resulta de uma mistura entre o afrobeat com o ferrinho e a gaita. Mas o jovem salientou que a dupla é versátil e interpreta outros géneros que caraterizavam o falecido pai, como “mazurca”, “sambinha”, entre outros.

Para o verão os dois irmãos ambicionam lançar um trabalho e já têm convites para atuar na Europa.

A noite prosseguiu ao ritmo do funaná, desta vez com o mítico grupo Bulimundo. O coletivo só subiu ao palco por volta das 24h00. O grupo recordou vários sucessos do grupo que regressou aos palcos há mais de um ano.

No final, Zeca Nha Reinalda lamentou a curta atuação do coletivo ( cerca de 40 minutos, segundo o artista) mas mostrou-se satisfeito com a apresentação perante uma plateia que cresceu a ouvir as música do mítico grupo de funaná.

O artista adiantou ainda que o grupo queria apresentar um novo tema para o festival mas tal não foi possível apesar de que um trabalho da banda poderá estar para breve.

Apesar da idade avançada da maior parte dos elementos do grupo, todos na casa do 50 e 60 anos, Zeca Nha Reinalda afirmou ainda que o grupo tem alguns shows programados para este verão primeiro na Europa e depois nos EUA e que o regresso aos palcos está a ser positivo.

Djodje traz um cheirinho do show no Coliseu para o Gamboa

“Djodje, Djodje, Djodje!”, ouvia-se em frente ao palco já passava da 01h da manhã. E foi com fogo-de-artifício que foi anunciada a entrada do cantor em palco para surpresa dos fãs presentes.

O cantor começou por interpretar temas mais recentes como “Namora comigo”, “ Vai embora” e mais tarde recordou sucessos antigos “Veron ki dja Tchiga”, entre outros.

O público cantou com Djodje todos os temas e mostrou ter decorado todos do início ao fim, afinal como o próprio afirmou à plateia "Li ki nos é bom".

O show recheado de efeitos pirotécnicos e com coreografias mexidas caiu no agrado dos presentes. No final, Djodje revelou aos jornalistas que tentou trazer parte do seu recente show no Coliseu de Lisboa, que aconteceu no âmbito do “La ki nos é bom” Tour, para o festival da Gamboa.

Para o próximo mês, Djodje prometeu aos fãs um single novo. Sobre a recente saída dos cantores Dynamo e Josslyn da produtora Broda Music, Djodje reafirmou que se tratou de uma saída amigável de mútuo acordo, mas deu a entender que os dois artistas queriam seguir “novos voos”.

Zé Spanhol com show mais reduzido

Já perto das 03h00 subiu ao palco David Brazão, o primeiro do trio previsto para o segundo dia do festival.

“Eu te amo Cabo Verde, eu te amo Praia” foi assim que o cantor que reside no Luxemburgo se despediu do público presente.

Seguiu-se Willy Semedo, que começou por interpretar um tema no género zouk mas logo intercalou com o funaná. O cantor mostrou estar feliz por estar a cantar no palco do festival pela primeira vez.

Depois de algum impasse no palco, Zé Spanhol começou a cantar a pedido dos presentes. No final, o cantor lamentou que em cima do palco viu a sua atuação reduzida e lamentou que conseguiu interpretar menos músicas. Apesar desse constrangimento, o cantor afirmou que gostou da receção do público presente.

E um novo CD/ CD do artista deverá estar no mercado este verão, segundo confirmou Zé Spanhol aos jornalistas. O trabalho vai intitular-se “Ben pa moda”.

Concurso para Gamboa 2018 deverá ser lançado em breve

A responsável pelo pelouro da cultura, a vereadora Débora Sanches da Câmara da Praia, fez um balanço positivo das festividades dos 159 anos da cidade da Praia, bem como da 25ª edição do festival da Gamboa 2017.

Não entrando em detalhes sobre o número de pessoas que passaram pelo certame, Débora Sanches adiantou que a expetativa era de 50 mil pessoas por dia, mas salientou que dado o cartaz do segundo dia atraiu mais público. Para garantir que tudo corra na normalidade, a mesma fonte adianta que foi montado e executado um plano de segurança, apesar de alguns contratempos.

A representante da CMP adiantou ainda que o festival tem estado a aumentar de nível e a contribuir para a “elevação cultural da cidade” que para breve deverá ser lançado um concurso para a realização da 26ª edição do festival.

C4 Pedro surpreendido com público da Praia

O show do cantor angolano acontece já depois da hora prevista para o término do certame por volta das 4h30. No seu regresso ao arquipélago, C4, com uma bandeira de Cabo Verde às costas, brindou os praienses com vários temas do último álbum e mostrou dotes de bailarino e entertainer em palco.

“Estragaré”, “Muita areia para o meio camião”, “Bo tem mel”, foram alguns dos temas que o cantor partilhou com a plateia que resistiu até ao amanhecer, 6h00 da manhã, para cantar juntamente com C4 Pedro.

O cantor revelou que tinha algum receio em cantar tão tarde (4h da manhã), até porque nunca o fez ao longo dos seus 10 anos de carreira mas que foi surpreendido pela calorosa receção do público cabo-verdiano que afirmou respeitar muito.

C4 Pedro afirmou ainda que não tem uma data para um novo álbum, apesar de reconhecer que já começa a ser pressionado para tal. Garantiu que já leva o público cabo-verdiano no coração e o regresso a Cabo Verde poderá acontecer num show previsto na ilha do Sal, ainda este ano.

Cruz Vermelha alerta para consumo excessivo de álcool

A noite de sábado registou mais ocorrências do que a de sexta-feira, mas Djamila Baptista da Cruz Vermelha de Cabo Verde, salientou que das 14 evacuações efetuadas a maioria dos casos foi por intoxicação (devido ao álcool) e de alguns ferimentos ligeiros.

 A mesma fonte salientou que este ano não houve registo de ferimentos com arma de fogo mas por outro lado chamou a atenção para o consumo excessivo de álcool, inclusive de menores, que levou a intoxicações e desmaios.

A responsável referiu que deveria existir mais sensibilização, mesmo a nível dos artistas em palco, para o consumo mais moderado de bebidas alcoólicas no certame.

Animação continua no domingo

Já no domingo, o areal do Gamboa recebe o Gamboinha com programação para os mais pequeninos e ainda o Gamboa Jovem com nomes como Paulo G, Hélio Batalha, David Baessa, Jó Semedo, entre outros.

A entrada no domingo é grátis.

 

Veja ainda as fotos do certame:

 

* Artistas no segundo dia do festival

 

* Público que marcou presença no evento