Já lá iremos à brasileira Ludmila, primeiro, a morna, e o “grande orgulho e alegria” de Cremilda por abrir o palco, na companhia de Djocy Santos e Ceuzany, numa viagem por ritmos tradicionais do folclore cabo-verdiano, chegando ao ponto de, na primeira morna, “Bem conchê Mindelo” (Manuel d’Novas), pedir e conseguir “o coro” do público, seguido de uma “chuva de aplausos”. Poucos o conseguiram logo no arranque.

Para quem ainda pensava que “morna não casa com Baía das Gatas”, Cremilda Medina, bem cedo, à segunda morna, “Raio de Sol”, que dedicou a menina de quatro anos, Sharon Lopes, falecida na manhã de sexta-feira, 09, quando aguardava transferência para tratamento em Portugal, deixou o aviso de que a tradição de Cabo Verde é “muito forte”.

Aliás, ao público da baía, Cremila Medina declarou-se “feita de mornas e coladeiras”, os ritmos das seis músicas que interpretou ao longo da sua actuação, bem secundada por Djocy Santos, uma estreia naquele palco, e Ceuzany, “uma habitué” do festival.

Outro “caso sério” da primeira de três noites/madrugadas do festival foi a brasileira Ludmila, a responsável, dizia-se “à boca cheia”, pela enchente jamais vista numa sexta-feira de festival.

Ainda os músicos da banda da cantora afinavam os instrumentos, momentos antes da actuação, e o público já gritava o nome de Ludmila.

Parecia, ao longo de todo o “show” que se tratava da actuação de uma artista “da casa” já que, dali para frente, a mole humana, constituída sobretudo por jovens e adolescente, mas também adultos, parecia ter as letras das músicas “na ponta da língua”.

Tanto é que, a dado momento, Ludmila, que ainda fez uma incursão pela bateria, exclamou: “Vocês sabem tudo, ehin !!!”, ao mesmo tempo que declarava felicidade por actuar num palco como o da Baía das Gatas.

E quem regressou, “feliz da vida”, conforme Micas Cabral, foi a banda Tabanka Djaz, cuja anterior actuação no festival datava de 1997.

“Espero que na se esqueçam de nós nos próximos 22 anos”, ironizou o cantor e porta-voz da banda, que pisou o palco do festival pela primeira vez em 1988.

A banda propôs uma revisitação pelos cinco discos que tem no mercado e, a julgar pela reacção da assistência, caiu no agrado da multidão que, momentos depois, iria deliciar-se com os ritmos do reggae, através de Ki-mani Marley, filho do mítico Bob Marley, num actuação que percorreu, até depois das 06:00, sobretudo, os grandes sucesso de Bob.

O festival prossegue na noite de hoje, cabendo a Vasco Martins abrir o palco, às 20:00, seguido de uma animação pelo Grupo de Carnaval de São Vicente e ainda Grace Évora, Beto Dias, Suzana Lubrano, Deejay Telio (Angola) e Davido (Nigéria).

O festival teve a sua primeira edição no dia 18 de Agosto de 1984, é realizado anualmente na praia da Baía das Gatas, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, e desde aquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal de São Vicente, que organiza o evento, reserva uma verba no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachet de artistas de Cabo Verde e do estrangeiro, sendo certo que o grosso do montante para suportar o evento, de acordo com a autarquia, provêm de patrocínios de empresas.

Veja as fotos:

Baía das Gatas 2019: Palco dia 09

Baía das Gatas 2019: Público dia 09

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