De preferência, conforme Vasco Martins, um dos fundadores do festival, num sítio ligado ao mar, às montanhas, numa espécie de ligação com a natureza de São Vicente.

Nascido da simplicidade e do entusiasmo de um pequeno grupo de pessoas que frequentava, em 1984, a Galeria Nhô Djunga, no Mindelo, Vasco Martins, na Brochura que publicou em 2014, por ocasião dos 30 anos do festival, com o título “Breve Historial”, lembra que a primeira edição tinha um orçamento de 180 contos, para dois dias de música, e cerca de 50 músicos oriundos de vários pontos do arquipélago.

Um dos recordistas de presenças no certame, ao lado de Vlu, Vasco Martins considera que o festival foi uma “luz estelar” dos que tiveram a ideia e avançaram, e de todos que apoiaram a iniciativa, o povo de São Vicente e de outras ilhas, que amparam o acontecimento, hoje, “uma lenda”.

O primeiro festival levou “sensivelmente um mês e uns dias” para ser organizado, mas à medida que a ideia ganhava corpo aumentava o número de voluntários dispostos a ajudar, num “entusiasmo instantâneo”.

Como curiosidades da primeira edição do festival, Vasco Martins aponta que a aparelhagem tinha um impacto acústico de 750 watts, mas que no fim do festival, no domingo, devia ter “uns 100 watts”, com os “agudos arrebentados”, e que o gerador eléctrico disponibilizado pelas Forças Armadas necessitava de descanso de três em três horas.

O palco foi feito com recurso a todo o tipo de material, desde andaimes, chapas de tambor e de madeira, panos, arames, pregos enferrujados (…), mas foi dali que, durante dois dias, conforme Vasco Martins, o baterista Blimundo, do grupo Gota d’Aga, tocou “mais de 16 horas sem parar”, acompanhando “tudo e todos”.

Eis o cartaz da primeira edição do Festival de Música da Baía das Gatas, ocorrida nos dias 18 e 19 de Agosto de 1984, o qual contou com o Grupo de Frank Cavaquim no acompanhamento da maior parte dos cantores de música tradicional:

Sábado, 18, abertura com o Hino do Festival, da autoria de Vasco Martins, seguido dos grupos e artistas Gota d’Aga, Gotinha, Jon Lino, Sana Peppers, Adão Fidalgo, Lázaro, Vlu, Júlio Silva, Panai, Djô Cabel, Hakan, Kings, Dany Mariano, Cubala, Vikings, Cesária Évora, Deolinda e Wings.

Domingo, 19, a abertura ficou a cargo de Vlu, seguido de Djô Pedro, Lucas, Carlos Castro, Pinúria, Júlio Silva, Alegoria do Mindelo, Zeca e Zequinha, Arco-Íris, Progresso, Gaiatos, Djô d’Eloy, Kings e Gota d’Aga.

O primeiro festival reuniu apenas artistas residentes em São Vicente e em outras ilhas do arquipélago, mas já no segundo, em 1985, actuaram os primeiros músicos vindos do estrangeiro:  os cabo-verdianos Paulino Vieira e Dany Silva, que viviam em Portugal, o português António Jorge Branco e o cubano Sérgio Faria.

A primeira banda estrangeira a pisar o palco da Baía das Gatas foi a orquestra cubana Turiguano, em 1986, por ocasião da 3ª edição.

Trinta e cinco anos depois, a edição deste ano é inaugurada na sexta-feira, 09 de Agosto, pelo trio de vozes cabo-verdianas formado por Cremilda Medina/Djocy Santos/Ceuzany de acordo com o alinhamento divulgado pela organização.

O mais antigo festival de música de Cabo Verde, que este ano rende homenagem aos mindelenses, reúne um leque diversificado de músicos e bandas do país e do estrangeiro, e, para o primeiro dia, estão ainda previstas as actuações da banda Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), do reggae-man Ky-Mani Marley (Jamaica) e, para fechar o dia, a brasileira Ludmila.

No sábado, 10 de Agosto, Vasco Martins é o primeiro a subir ao palco, seguido de uma animação pelo Grupo de Carnaval de São Vicente e ainda Grace Évora, Beto Dias, Suzana Lubrano, Deejay Telio (Angola) e Davido (Nigéria).

Para domingo, 11, terceiro e último dia do festival, o alinhamento prevê abertura com o grupo Hip Hop Skils Muviment (Cabo Verde), seguido de Yasmin (Portugal), Loony Johnson, Ricky Man e, a fechar, a banda portuguesa Wet Bed Gang.

O festival teve a sua primeira edição no dia 18 de Agosto de 1984, é realizado anualmente na praia da Baía das Gatas, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, e desde aquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal de São Vicente, que organiza o evento, reserva uma verba no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachet de artistas de Cabo Verde e do estrangeiro, sendo certo que o grosso do montante para suportar o evento, de acordo com a autarquia, provém de patrocínios de empresas.

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