“É um festival de que se fala em qualquer parte do mundo, e hoje digo que há artistas de renome que já se oferecem para actuar na Baía das Gatas”, declarou Augusto Neves, à Inforpress, a propósito da celebração dos 35 anos do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas.

Daí, continuou, o cartaz da edição deste ano “fazer jus” à homenagem que a câmara, na qualidade de organizadora do evento, deseja fazer aos mindelenses, a quem dedica esta 35ª edição.

“Mindelo é uma cidade jovem, com potencial a vários níveis e são os mindelenses os obreiros, são eles que fazem com que a ilha esteja sempre no pódio, quer na cultura como no desporto e em outras actividades”, concretizou Neves, ao justificar a homenagem aos mindelenses.

Mas o autarca reconhece, na mesma linha, que “o sucesso” destes 35 anos do festival tem também “o dedo dos patrocinadores” públicos e privados, sem os quais, assinalou, “seria difícil” ter um evento do nível que este já alcançou, porque o orçamento “é alto”.

“Mas não só os patrocinadores, como o envolvimento de todos, pois a grandeza do festival passa não só pelo esforço da câmara, do Governo e dos patrocinadores, mas também pela dinâmica que gera nos emigrantes e turistas”, concretizou.

Daí, mais do que um evento de música, Augusto Neves já perspectiva a transformação do festival num produto/atractivo de “alto valor acrescentado” e capaz de “movimentar a economia” da ilha, “de forma sustentável”.

E é nesse sentido, declarou, que a câmara tem “investido bastante” no festival, pois o mesmo “gera rendimentos” a um leque diversificado de prestadores de serviço, pequeno comércio, restauração, hotelaria, companhias aéreas e transporte, entre “muitas outras”, num trabalho ao lado dos parceiros e patrocinadores, que hoje “acreditam no evento”.

A ideia, avançou, passa também por fortalecer São Vicente neste período de férias com mais actividades culturais, como o Summer Jazz, o Carnaval de Verão “e até as festas de Verão dos grupos organizados”.

Neves lembrou, a propósito, a asfaltagem recente da estrada cidade-Baía das Gatas, “uma mais-valia” a pensar nas pessoas que moram nas zonas por onde passa a rodovia, como também nos vários eventos que a baía pode acolher.

É que, para o autarca, todo o evento concretizado na Baía das Gatas tem um “forte potencial económico”, daí concluir que se deve também continuar a experiência do Festival da Juventude, na baía, que vai receber obras de requalificação, as quais iniciam-se logo após o festival deste ano.

“No festival de 2020, com certeza, teremos uma Baía das Gatas muito mais aprazível e bonita, oferendo outras condições para os frequentadores da estância, não só na época do festival”, sintetizou.

A 35ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas é inaugurada na sexta-feira, 09 de Agosto, pelo trio de vozes cabo-verdianas formado por Cremilda Medina/Djocy Santos/Ceuzany de acordo com o alinhamento divulgado pela organização.

O mais antigo festival de música de Cabo Verde, que este ano rende homenagem aos mindelenses, reúne um leque diversificado de músicos e bandas do país e do estrangeiro, e, para o primeiro dia, estão ainda previstas as actuações da banda Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), do reggae-man Ky-Mani Marley (Jamaica) e, para fechar o dia, a brasileira Ludmila.

No sábado, 10 de Agosto, Vasco Martins é o primeiro a subir ao palco, seguido de uma animação pelo Grupo de Carnaval de São Vicente e ainda Grace Évora, Beto Dias, Suzana Lubrano, Deejay Telio (Angola) e Davido (Nigéria).

Para domingo, 11, terceiro e último dia do festival, o alinhamento prevê abertura com o grupo Hip Hop Skils Muviment (Cabo Verde), seguido de Yasmin (Portugal), Loony Johnson, Ricky Man e, a fechar, a banda portuguesa Wet Bed Gang.

O festival teve a sua primeira edição no dia 18 de Agosto de 1984, é realizado anualmente na praia da Baía das Gatas, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, e desde aquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal de São Vicente, que organiza o evento, reserva uma verba no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachet de artistas de Cabo Verde e do estrangeiro, sendo certo que o grosso do montante para suportar o evento, de acordo com a autarquia, provém de patrocínios de empresas.

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