O nome desta baía, de acordo com documentos consultados pela Inforpress, deriva da abundância nas suas águas de uma espécie de tubarão, denominada tubarão-gata.

Com águas calmas, qual piscina natural protegida por areia branca, corais e pedras vulcânicas, esta baía pode ter sido ponto de abrigo do tubarão-gata, tido por um animal “inofensivo”, se comparado com os “irmãos da espécie”.

Nos dias de hoje, pode ser considerada uma pequena cidade, tantas são as construções ali edificadas, tipo segunda habitação ou casa de praia, mas no início não era assim.

Documentos consultados pela agência Inforpress nos arquivos da autarquia mindelense revelam que a primeira casa ali construída data da década de 1940, por iniciativa do então administrador da ilha, José Brito, para posteriormente pertencer a Jorge Grego.

O ciclo das primeiras construções, num total de 14, iniciou-se nos anos 40/50 para terminar na década de 60, altura em que se decretou o congelamento de novas edificações devido à necessidade de elaboração de um plano. Tal obrigou ao adiamento de todas as intenções de construção.

Só em 20 de abril de 1984 é que o Conselho Deliberativo do Município de São Vicente viria a aprovar o Plano Urbanístico Detalhado da Baía das Gatas, o qual incluía uma área reservada ao turismo, para a implantação do Plano Diretor do Turismo, de caráter nacional, mas também a definição de loteamento para construção particular de 108 lotes com uma área média de 300 metros quadrados.

O Plano Urbanístico Detalhado da Baía das Gatas, de 1984, contemplava ainda uma zona desportiva, estacionamentos, com um parque para cerca de 400 viaturas, uma aldeia turística, com 52 ‘bungalows’, zona para desportos náuticos e zona para banhos.

Mais recentemente, juntamente com o lançamento da obra de asfaltagem da estrada cidade-Baía das Gatas, entretanto concluída, a Câmara Municipal de São Vicente apresentou uma proposta de requalificação da baía, obra financiada pelo Governo no montante de 95 mil contos.

Na sua proposta de requalificação da Baía das Gatas, a autarquia assinala que a localidade carece de infraestruturas e equipamentos públicos para salvaguardar o seu desenvolvimento equilibrado.

Entre as carências, a autarquia refere serviços de apoio à praia e de espaços públicos como bares, restaurantes ou alojamento, e de redes de água, esgoto e eletricidade, além de áreas de lazer para turistas e visitantes ou postos salva-vidas.

Feito o diagnóstico, as obras, que devem arrancar logo após o festival 2019, vão reabilitar a praia, através de correção das águas pluviais, limpeza e recarga de areia, e requalificar o passeio em frente ao mar.

A intervenção prevê ainda a criação de estacionamentos e a melhoria do espaço utilizado para a colocação das barracas comerciais, sobretudo no festival, a favor de um melhor conforto, salubridade e segurança dos visitantes.

Inclui ainda a reabilitação dos trampolins, substituição dos pisos, para oferecer mais segurança aos utentes, e a criação de um parque desportivo para lazer e de uma passarela turística.

A 35ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas é inaugurada na sexta-feira, 09 de agosto, pelo trio de vozes cabo-verdianas formado por Cremilda Medina/Djocy Santos/Ceuzany de acordo com o alinhamento divulgado pela organização.

O mais antigo festival de música de Cabo Verde, que este ano rende homenagem aos mindelenses, reúne um leque diversificado de músicos e bandas do país e do estrangeiro, e, para o primeiro dia, estão ainda previstas as atuações da banda Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), do reggae-man Ky-Mani Marley (Jamaica) e, para fechar o dia, a brasileira Ludmila.

No sábado, 10 de agosto, Vasco Martins é o primeiro a subir ao palco, seguido de uma animação pelo Grupo de Carnaval de São Vicente e ainda Grace Évora, Beto Dias, Suzana Lubrano, Deejay Telio (Angola) e Davido (Nigéria).

Para domingo, 11, terceiro e último dia do festival, o alinhamento prevê abertura com o grupo Hip Hop Skils Muviment (Cabo Verde), seguido de Yasmin (Portugal), Loony Johnson, Ricky Man e, a fechar, a banda portuguesa Wet Bed Gang.

O festival teve a sua primeira edição no dia 18 de agosto de 1984, é realizado anualmente na praia da Baía das Gatas, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, e desde aquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal de São Vicente, que organiza o evento, reserva uma verba no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachê de artistas de Cabo Verde e do estrangeiro, sendo certo que o grosso do montante para suportar o evento, de acordo com a autarquia, provém de patrocínios de empresas.

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