A lusofonia marcou a noite de sábado, dia 19, segundo dia do festival da Gamboa. Com três estreias no palco do evento – Dino d’Santiago, Richie Campbell e Landrick, o festival que este ano era gratuito, contou com uma enchente para ouvir, cantar e dançar ao ritmo de sons bem diversos que se foram alterando de atuação para atuação.

O segundo dia do festival da Gamboa começou com algum atraso, que se deveu, segundo fonte da Câmara Municipal da Praia, a um problema técnico. O primeiro artista a subir ao palco, Dino d’Santiago, entrou já o relógio marcava 23h00.

O artista que é filho de pais cabo-verdianos mas que nasceu em Portugal, “encontra-se numa missão de espalhar o funaná no mundo” e apostou na música electrónica, mas sem nunca deixar de lado as sonoridades mais tradicionais cabo-verdianas. E Dino, cuja atuação foi precedida por batucadeiras, não esteve sozinho em palco que partilhou com artistas como Bino Branco, dos Ferro Gaita, Mito Kaskaz e Rapaz 100 Juiz, com os quais prestou homenagem a Santa Catarina.

O cantor que brindou o público com alguns temas inéditos, que vão fazer parte do álbum que deverá sair entre setembro/outubro próximo, afirmou à imprensa que o show “foi especial” e que a aposta na música electrónica foi mesmo propositada com intuito de chegar mais facilmente ao público.

Já passava das 000h30 quando o grupo de Santo Antão, Cordas do Sol, subiu ao palco para interpretar vários sucessos da banda como “Lume d'Lenha”, mas também temas do último álbum – “Na Montanha”.

Para surpresa dos presentes, o grupo chamou ao palco a cantora mindelense Diva Barros, para cantar músicas como “Nha Bijoux” e “Dod na Bó”. Tratou-se de uma colaboração no âmbito do projeto “Cordas do Sol mais um”, segundo explicou mais tarde o líder da banda, Arlindo Soares. Na atuação no Gamboa, a banda contou ainda com a participação do grupo de dança "Raiz di Polon".

Para os fãs que já pedem um novo trabalho, o responsável adiantou que um novo CD só vai acontecer em 2019, mas para já, acrescentou,  que vão atuar na Brava e em Santo Antão, no âmbito das festas de Santo Antão, ao lado de Ceuzany.

Já passava das 02h00 da manhã quando o cantor de reggae e dancehall português Richie Campbell entrou em cena e desde o primeiro momento procurou interagir com o público. Ao lado de um banda que também encantou os presentes, Richie interpretou hits como “Water”, “Break of down”, “Slowly", "Stress", "Heaven", entre outras músicas que o público pareceu conhecer de início ao fim.

Entusiasmado com a calorosa recepção, o cantor, bem como a banda, entregaram-se totalmente  ao festival.

Richie Campbell também trouxe um convidado surpresa – o rapper Plutónio. A atuação terminou com o público a pedir “Do you no wrong”, pedido esse que foi atendido pelo cantor que voltou para um ‘encore’.

"O que nós precisávamos era de um público assim", afirmou Richie Campbell, em declarações à imprensa, salientando que o estilo música que canta é, às vezes, mais próximo da realidade de Cabo Verde do que de Portugal, por exemplo, e acrescentou que está sempre aberto a colaborações com artistas cabo-verdianos, quem sabe até Zeca de Nha Reinalda, do qual confessa ser fã.

Por último, já depois das 04h00, deu-se uma mudança radical no estilo musical, com uma outra estreia no palco do Gamboa, a do cantor angolano Landrick, já num registo mais romântico e com direito a beijos apaixonados de casais em cima do palco.

Antes da sua atuação, o artista que esteve acompanhado por uma banda cabo-verdiana, confessava que estava nervoso, mas que foi encorajado pelo colega cabo-verdiano Loony Johnson com qual partilha um tema no próximo trabalho musical.

Dos sucessos mais antigos como "Fila da Goda", "Mr Confuso", “Há mulheres e mulheres” até aos mais recentes como "Não Bate Bem", "Te Quero De Volta", Landrick, que vai lançar um álbum novo no próximo mês de junho, cantou, dançou e "tarrachou" para delírio, principalmente do público feminino.

A noite terminou depois perto das 5h30. Hoje, domingo, há novamente animação para o público mais novo com a Gamboinha e mais tarde acontece o Gamboa Jovem, com artistas nacionais.

“Não podemos ver os festivais só na perspetiva de que se vai gastar dinheiro”

Em declarações à imprensa, o vereador António (Tober) Lopes da Silva afirmou que a 26ª edição estava a cumprir com as expectativas da edilidade. “Foi uma Gamboa diferente porque a entrada é gratuita, daí que havia mais gente e, mesmo com toda essa gente, correu tudo bem”, garantiu o representante da CMP e acrescentou que esta edição estava a ser uma justa homenagem aos 160 anos da cidade da Praia.

Com um orçamento de 16 mil contos, que é fundamentalmente suportado por privados, segundo a mesma fonte. Quanto às críticas que se fazem sentir sobre as verbas disponibilizadas para os festivais no país, o vereador da CMP responde:

“Os festivais também criam economia, movimentam a cidade, fazem a circulação de dinheiro (…) não podemos ver os festivais só na perspetiva de que se vai gastar dinheiro. Não. O dinheiro vai circular e vai haver uma melhor redistribuição do mesmo”.

Cruz Vermelha alerta para consumo de álcool em excesso

Apesar de esperarem maior afluência ao posto da Cruz Vermelha devido ao facto do acesso este ano ao evento ser gratuito, os responsáveis no terreno da instituição salientaram que nesta edição houve menos ocorrências comparativamente a 2017.

Contudo, a enfermeira Maria José adiantou ao SAPO que os casos de intoxicação por consumo de álcool são mais elevados, principalmente na camada mais jovem e no sexo feminino.

Até ao fecho desta edição, a Cruz Vermelha tinha feito 6 evacuações para o Hospital Agostinho Neto, uma das quais por excesso de álcool de uma menor de idade, e registado três casos de agressão.