O primeiro dia da 26ª edição do Festival da Gamboa arrancou perto das 22 horas com o recinto praticamente vazio. A Banda Municipal fez as honras e abriu o palco com uma pequena atuação de cerca de 10 minutos onde recordaram alguns clássicos da música cabo-verdiana.

Após um breve intervalo com animação do Dj Streladu foi a vez do coletivo Hip Hip Praia composto por Batchart, Mito Kaskas, Ga DaLomba, Nissah Barbosa, Nitry e WTS.

O rap crioulo invadiu assim o festival com rimas e mensagens fortes tocando em temas como o desemprego e a insegurança. O grupo teve direito a cerca de uma hora de atuação cabendo a cada artista dois temas. O areal, já bem mais composto, correspondeu vibrando a cada atuação.

Batchat, em entrevisa ao SAPO no final da sua atuação, afirmou que fica com a “sensação de dever cumprido” mas ao mesmo tempo decepcionado quanto ao horário de atuação do grupo. “Acho que arrastamos público suficiente para estar no horário nobre, digamos assim …. Mas é sempre bom, obrigado”, concluiu.

Depois do rap, foi a vez dos sons do reggae tomarem conta do Gamboa com a cantora cabo-verdiana Nish Wadada que subiu ao palco perto da meia-noite. “É um grande prazer estar aqui Gamboa, saudações”, disse a artista desde logo.

Com “boas vibrações”, aproveitou igualmente, em cada um dos seus temas, para chamar a atenção para o respeito, o amor, a africanidade, música consciente, liberdade, igualdade de género e ainda apelar ao fim do preconceito ao uso da canábis, que “tem curado muitas pessoas”.

Nish Wadada, convidou o rapper MC Ngunda para partilhar consigo um tema celebrando a união dos dois géneros musicais.

Já perto do fim do seu show, a artista natural de São Nicolau salientou que esta é a primeira vez que atua com a sua banda em Cabo Verde depois de percorrer vários palcos em todo o mundo.

Seguiu-se Charbel que, com esta participação no Gamboa, “realiza um sonho” já que, como disse em palco, “em 7 anos de carreira” é a primeira vez que é convidado para o Festival. “Mimada”, “É Magia” e “Romeu e Julieta” foram três dos temas que interpretou sempre acompanhado pelo público em coro.

“Sinto que dei o meu melhor. Aqui em Cabo Verde sinto-me como se estivesse em minha casa. Sou tratado com o mesmo amor e carinho que qualquer crioulo”, disse satisfeito.

Já passava das 2 horas da manhã quando Garry ‘incendiou’ o recinto da Praia da Gamboa. “obrigado Gamboa. Não me esquecerei deste momento … vocês são demais”, sublinhou visivelmente feliz e emocionado com o feedback que ia recebendo do público efusivo que, com as letras das canções na ponta da língua, cantaram todos os temas em coro. Entre o funaná e o kizomba cativou os presentes que pediam mais e mais temas.

“Gostava de poder continuar a subir mais e mais palcos em Cabo Verde para continuar a cantar para este público porque também sem eles eu não era ninguém”, disse.

Os irmãos António e Fradique, conhecidos como os Calema, naturais de São Tomé, fizeram também a sua estreia no palco do Gamboa. “Vai”, “Casa de Madeira”, “A Nossa vez”, “Dá-me Dá-me” não podiam faltar e, apesar de serem os últimos do cartaz do primeiro dia, o público não arredou pé e com genica vibrou a cada tema.

O Festival da Gamboa este ano é em homenagem aos 160 anos da Cidade da Praia e é de entrada gratuita. Conta com a transmissão em direto através da RTC e da RDP África.

Nesta edição o “Gamboinha” acontece também no sábado e hoje são esperados em frente à Electra a partir das 15 horas animação com palhaços, arte circense, pintura facial, jogos tradicionais, brinquedos/insufláveis, bem como animação com a Banda Gamal.

Cordas do Sol, Dino D’Santiago e convidados, Richie Campbell e Landrick são os artistas que vão atuar no segundo dia do Gamboa.

No domingo, 20, acontece o Gamboa Jovem a partir das 19h00, com forte aposta em jovens artistas nacionais.