Nasceu em São Vicente, mas cedo rumou com a família para os Estados Unidos. Corria o ano de 1974 e Roy Job aterrou no Kentucky com apenas 16 anos. “Foi difícil, tive de aprender tudo de novo, não dominava a língua e estava longe dos amigos”, explica o músico em Lisboa, em entrevista ao SAPO.

Na bagagem levava já a música de Cabo Verde. “A música faz parte da minha vida desde que me lembro e por causa da música adaptei-me bem”, começa por explicar. Com 12 anos já tocava em grupos musicais e sempre ouviu muita música em casa: “O meu pai ouvia muita bossa nova”, conta-nos a propósito da escolha desta sonoridade vinda do Brasil mas presente na faixa sete do disco, intitulada “Pai”.

E assim mesmo é “A Dedication”, um conjunto de canções com o fundo de Cabo Verde mas com um pouco de ritmos de todo o mundo. É uma dedicação “à família, aos amigos, a Cabo Verde e ao mundo”, mas também a todos os estilos musicais com os quais se foi cruzando após décadas de trabalho como produtor musical nos Estados Unidos, tendo trabalhado com frequência com vários artistas de renome internacional, como o caso de Ky-Mani Marley, filho de Bob Marley.

“Sempre pensei fazer um disco meu, a solo, o problema era saber a linha a seguir. Tinha experiências muito diferentes. Tentei, mas não consegui escolher um ritmo” e “Dedication” acaba mesmo por ser uma fusão de vários ritmos, o que resume também a sua experiência musical e as suas origens.

Roy Job mostra que  rap, coladera, pop, samba, reaggae, jazz ou morna não têm fronteiras e junta harmonicamente os estilos no primeiro disco. Quando lhe perguntam como define o seu estilo, chama-lhe apenas “Romantic Tropical Jazz”.

Nomeados CVMA 2019: Melhor Álbum do Ano
créditos: Fotos cedidas pela organização

E, apesar de os ritmos africanos terem já chegado às pistas de dança de todo o mundo, Roy Job surpreendeu-se com a aceitação do disco. Com muitos temas em crioulo e sem ser um disco dançável, o compositor aparece na cena musical nacional logo com quatro nomeações para os Cabo Verde Music Awards (CVMA), entre elas Melhor Intérprete Masculino e Melhor Álbum do Ano.

A gala dos CVMA – que este ano destina as receitas das bilheteiras à população da cidade da Beira, em Moçambique, que foi afetada pelo ciclone Idai –  vai decorrer na Assembleia Nacional, na Praia, no dia 4 de maio e Roy Job já marcou a sua presença.

“Não podia perder. É algo que não esperava, é incrível”, diz, ainda visivelmente surpreendido por todas as nomeações e aceitação do álbum. “Chegar aqui é uma honra muito grande”, reafirma.

“Estou muito contente com a receção, tenho tido muitos pedidos para fazer concertos em todo o mundo”, explica o cantor, contente por levar ou crioulo e os sons de Cabo Verde a vários locais e rompendo entre com o pop americano e a música latina, as mais ouvidas nos Estados Unidos.

Este disco é o primeiro e foi pensado para ser o único. Ser apenas uma dedicação, uma homenagem a todos os que gosta. Só que todo este sucesso pode mudar o rumo da carreira do conhecido produtor.

“Eu não sei exactamente o que vou fazer. Para este disco, escrevi 23 canções e escolhi onze. Não esperava esta situação”, refere-se ao sucesso e continua: “Eu componho sempre, mesmo aqui em Portugal já escrevi umas coisas, às vezes vem a letra primeiro e escrevo, outras vezes componho com o violão, apesar de o piano ser o meu instrumento. Já me perguntaram quando vem o próximo álbum, mas vamos ver…”

Fica em aberto o futuro, mas, já hoje, o músico é esperado em Lisboa, no B.leza, para mostrar “Dedication” em Portugal. “Eu acho que vão gostar, há músicas de todo o mundo para ouvir. É um disco sem nacionalidades.” Ou com várias misturadas, que fazem deste disco uma viagem musical pelos ritmos mais quentes do planeta.

A Dedication

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