Apanha de Espíritos, explicou Sabino Baessa, é quando as pessoas morrem, não de uma “morte digna ou considerada natural”, e os familiares recorrem a esta crença, ligada às práticas funerárias, para “elevar ou tranquilizar” o espírito do falecido.

Após uma análise entre os membros do grupo, disse, que chegaram a conclusão de que é necessário valorizar a identidade cultural e a singularidade cultural cabo-verdiana, por isso a aposta em produção de peças voltadas para às manifestações culturais do país.

“Temos que valorizar a nossa identidade cultural, temos que identificar todo os aspectos das crenças existentes na comunidade santiagueses e trazer à tona porque está em desaparecimento”, afirmou.

Com este propósito, resolveram produzir essa peça para que os fazedores ou os crentes desses rituais sentem-se valorizados, pelo facto de ainda praticarem esses rituais.

Levantando um pouco do véu sobre essa peça, com estreia marcada para 30 de Maio, a mesma fonte, revelou que será uma produção “super interessante” porque envolve alguns músicos que vão criar um ambiente do sobrenatural.

“Apanha de espírito é a ligação entre as duas realidades, a natural que nós vivemos e o sobrenatural ou subconsciente humano, porque,  na verdade todas essas informações e essas crenças são o trabalho e a dinâmica que existe entre o consciente do homem e o subconsciente”, disse, ajuntado que apanha de espírito é o resultado da mistura da cultura europeia com a cultura africana.

Sabino Baessa defendeu que os santiaguenses podem usar essas crenças para o desenvolvimento sociocultural das suas comunidades.

“Nós podemos usar essas crenças culturais como pacote turístico. A comunidade que prática esse ritual ganha, os turistas e as comunidades que vão assistir o ritual também ganham com a nova forma do povo encarar a sua vida e, nessa perspectiva, acho que trabalhando essas crenças populares teremos uma grande riqueza cultural” salientou.

De referir que este ano, durante o “Março – Mês do Teatro”, a Companhia de teatro Fladu Fla leva aos diferentes bairros da Praia várias peças teatrais, nomeadamente “Sexta-feira 13”, “Fronta Ka so agu Ku lumi”, “Revolta de Escravos”, “Jornada di badiu”, “Menos um”, “Recriação da história – Governador Artur M. Campos”.