A obra em questão trata-se de uma imagem de Amílcar Cabral esculpida numa das paredes da Escola Secundária de Achada Grande Frente, na Cidade da Praia.

Em declarações à imprensa, a coordenadora do projeto, Mariangela Fornuto, explicou que esta inauguração fechou “em grande” o oitavo workshop do programa de Arte Urbana XALABAS, que, por sua vez, encerra um ciclo de workshops que funcionou como uma residência artística, onde teve sempre artistas internacionais e locais como convidados.

“Vhils é um artista significativo para nós, no âmbito deste programa. É importante para nós a sua fama mundial e seu estilo artístico que é único. Temos certeza que vai ser uma mais-valia por aquilo que nós estamos a fazer no âmbito deste projeto”, completou.

Conforme disse ainda Mariangela Fornuto, este oitavo workshop teve como “grande destaque” a dimensão de Vhils, “um artista extremamente conhecido e famoso e, além disso, é extraordinário com uma técnica única”.

“Isto vai dar um valor extremamente grande ao bairro de Achada Grande Frente e a Cidade da Praia e Cabo Verde em geral, porque suas obras têm uma divulgação a nível mundial. Significa que temos aqui uma obra que realmente vai nos projetar (Cabo Verde) para o mundo”, complementou.

Nestes oito workshops já realizados, Mariangela Fornuto informou que já se recebeu 11 artistas internacionais, mais 35 nacionais e que já foram realizadas, mais ou menos, umas 60 obras de arte, pelo que já se tem “um roteiro muito rico”.

Além de pintar uma obra nas paredes e murais locais, Vhils realizou ainda um workshop com alunos da Escola Secundária de Achada Grande Frente.

Natural de Lisboa, Vhils desenvolveu uma linguagem visual singular com base na remoção das camadas superficiais de paredes e outros suportes através de ferramentas e técnicas não convencionais.

Começou a interagir com o espaço urbano através da prática do graffiti no início da década de 2000 e desde 2005 tem apresentado o seu trabalho à volta do mundo em exposições, eventos e outros contextos.

Além da sua inovadora técnica de escultura em baixo-relevo, o artista tem desenvolvido a sua estética pessoal numa multiplicidade de suportes: da pintura com stencil à gravura em metal, de explosões pirotécnicas e vídeo a instalações esculturais, tendo também já realizado vários videoclipes, curtas-metragens e uma produção de palco.

Vhils trabalha com várias galerias de renome, de onde se destacam a Galeria Vera Cortês (Portugal), Lazarides gallery (Reino Unido), Danysz gallery (França e China) e Over the Influence gallery (Hong Kong e Estados Unidos).

O projeto Xalabas – di Kumunidadi é desenvolvido pela ONG Africa 70, em parceria com a Associação Pilorinhu, e é cofinanciado pela União Europeia. Desde 2017 tem vindo a implementar um programa de arte urbana, baseado em residências artísticas, onde são convidados artistas de renome internacional para deixarem uma obra no espaço público resultante da interação com os moradores e artistas locais.

Já participaram no programa e passaram pelo bairro de Achada Grande Frente artistas como Nemo’s (Itália), Paula Plim (Brasil), Finok (Brasil-Espanha), Ananda Nahú (Brasil), Falko One (África do Sul), Bankslave (Qénia) e Dreph (Reino Unido).

Conforme fez saber Mariangela Fornuto, há já um festival internacional de arte urbana agendada para 2021, que será, conforme frisou, “diferente” com “mais produções e mais artistas”, igualmente no bairro de Achada Grande Frente.

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