António Lopes da Silva falava, em Assomada, no concelho de Santa Catarina, na sequência de um debate sob o tema “Construindo uma agenda cultural para Santiago” no âmbito da rubrica “Kunbersas Badias” do Centro Cultural Norberto Tavares (CCNT), que se realiza uma vez por mês, no Quintal Orlando Pantera.

“Acredito que uma agenda cultural para Santiago não será fácil, mas é super importante, porque temos que capitalizar todas as experiências existentes nos diversos municípios da ilha, tendo em conta que a nossa tradição é rica e fortíssima”, disse, sustentando que a criação desta agenda cultural tem que passar pela articulação das diversas agendas.

Daí ser fundamental, sustentou, que cada município tenha a sua própria agenda cultural diversificada que abarca além da parte cultural a gastronomia, mas que a mesma tem que ser articulada para que se possa capitalizar os investimentos, tendo sugerido a partilha de artistas e de grandes grupos musicais e de outras áreas que participam nos eventos de cada município entre os mesmos.

Conforme lembrou o autarca praiense, se a capital que tinha outrora apenas um evento cultural (Gamboa) e com muitos problemas, se hoje tem uma agenda cultural “riquíssima e forte”, que aliás, lembrou, é reconhecida, a mesma foi construída com participação dos munícipes e pela estratégia de parceria.

Questionado se tencionam fazer a extensão das suas actividades culturais para outros municípios, António Lopes da Silva afirmou que sempre defenderam isso, tendo mostrado a possibilidade de a mesma ser uma realidade e vice-versa nos “próximos tempos”.

Relativamente aos festivais de música que faz parte da agenda cultural de todos os municípios, defendeu a continuidade deste certame, que diz “não ser muito no arquipélago” e por ser um evento “fundamental” para qualquer agenda cultural quer em Cabo Verde, Praia e para qualquer parte do mundo por dinamizar a economia e por criar emprego.

Entretanto, acrescentou que os festivais devem ter qualidade e reflectir de facto a diversidade cultural do país, mas que “não devem ficar amarrados a nossa cultura”, nomeadamente batuque, funaná e tabanca, mas dar, sobretudo, “satisfação aos jovens”.

“Temos que ter uma agenda cultural que espelhe a realidade de Santiago e que gere riquezas (…) uma agenda comprometida com o mundo global e não só com batuque e funaná, mas sim uma agenda cultural atractiva para os jovens, e muitas vezes pecamos neste aspecto, o que leva os jovens a não aparecerem nas actividades”, enfatizou.

Ainda nesta primeira edição do evento enquadrado nas festividades de Santa Catarina que se comemora no próximo dia 25 de Novembro, participaram Mário Loff, poeta e activista cultural, e Sidney Martins, antropólogo e técnico da Direcção da Cultura da Câmara Municipal de Santa Catarina.