Guiné-Bissau, Burkina Faso, Brasil, Portugal e Egito são os países convidados para estarem na URDI 2018 e que participam tanto da mostra em si, como dos painéis de debates “grandes conversas”, segundo o diretor do Centro Nacional de Artes, Artesanato e Design (CNAAD), Irlando Ferreira, que falava em conferência de imprensa na manhã de hoje, no Mindelo, para apresentação do programa do certame.

“A URDI deixou de ser algo só nacional e está a conquistar outras paragens e isso para nós é bastante importante, porque há dinâmicas, que estão a acontecer em outras partes do mundo e temos que estar alinhados para tirar maior proveito do setor”, lançou este responsável, para quem estes “levam um pouco do nosso saber e os daqui se apropriam um pouco do deles”.

Na parte de exposição, que terá lugar na Praça Nova, também conta com a participação de cinco artesãos internacionais, num universo de 144 expositores, e que representa, segundo a mesma fonte, um “aumento exponencial” em relação ao ano passado, em que o número de participantes rondou uma centena.

Como forma de incentivo, acrescentou, pretende-se premiar o “melhor stand”, em apresentação e cumprimento do regulamento, que receberá o prémio “Djoy Soares”, criado em homenagem ao artesão mindelense, falecido no último mês de março.

A programação da URDI, que se realiza de 28 de novembro a 02 de dezembro, abarca ainda “grandes conversas”, que tem como mote o antigo Centro Nacional de Artesanato (CNA), enquanto movimento que teve como base “elementos fundamentais”, como Manuel Figueira, Luísa Queirós, Bela Duarte, Leão Lopes e a nova geração, que se formou com eles.

“Se hoje temos uma perspetiva da identidade nacional cabo-verdiana, isto deve-se muito a esse núcleo que trabalhou afincadamente e com uma perspetiva muito clara daquilo que estavam a propor”, salientou Irlando Ferreira.

Prevê-se ainda, durante o certame, uma residência criativa, que neste ano terá uma peça projetada por Manuel Figueira e concebida pelos seus “discípulos diretos” Joana Pinto, João Fortes e Marcelino Santos, que, com base na técnica de tapeçaria nacional, vão a abordar, conforme a mesma fonte, numa perspetiva “completamente atual” com experimentação de materiais e de conceitos.

A residência criativa tem ainda peças dos artesãos Xande da Silva e Bento Oliveira.

“Renda Brava” é outros dos componentes da URDI, em que, como explicou o diretor do CNAD, desafiaram o artesão João Fortes a desenhar peças de renda que retratam a vivência cabo-verdiana e assim acabar com a tendência de “imitar motivos de outras paragens”.

As peças criadas foram, num segundo momento, trabalhadas por duas designers “da casa”, Carine e Risiline.

“Neste momento temos sete rendeiras da ilha Brava que estão a trabalhar essas rendas, que vão estar presentes no URDI 2018, mas um projeto que vai ter continuidade numa parceria com a Proempresa”, garantiu Ferreira.

A URDI contempla ainda o Salão de Design Created in Cabo Verde, que terá em exposição as peças vencedoras do concurso “Boka Panu”, anunciados no mês de outubro, e  que instou artesãos, designers e arquitetos a propor “novas abordagens” da panaria tradicional cabo-verdiana.

A feira terá ainda exposições, “Food design” de gastronomia, oficinas, com a participação de dois artesãos de mais de 80 anos, e concertos musicais com artistas de São Vicente, Santiago e maio.

LN/AA

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