Esta segunda etapa, de acordo com Ana Maria Clemente, prevê a implementação do que se esteve a preparar na fase inaugural, que teve início em maio último e que permitiu fazer o reconhecimento profissional dos artesãos.

“Dar-se-á início a inscrição do reconhecimento dos artesãos com profissionais, esse é um dos vetores, no vetor de certificação vamos implementar três certificações de produtos para dar início”, realçou a responsável, adiantando que o processo de definição das bases para o reconhecimento do artesão e dos procedimentos já definidos, vão ser agora publicados em Boletim Oficial (BO).

O projeto no seu todo prevê a duração de 18 meses, sendo que a primeira fase foi feita em seis meses e abarcou as ilhas de São Vicente, Santiago e Santo Antão, em que se registou 24 artesãos, maioria mestres.

Estes dados foram avançados hoje, no Mindelo, pelas duas coordenadoras do projeto, Ana Maria Clemente e Elisângela Monteiro que apresentavam o tema “Regulamentação do setor do artesanato Created in Cabo Verde” na vertente “Grandes conversas” da feira de artesanato URDI, que tiveram início nesta quinta-feira no Centro Cultural do Mindelo.

Desta forma, di-lo Cemente, já se está no terreno para essa próxima etapa e que vai continuar a dar prioridade ao registo de mestres artesãos, tendo em conta, que são “pessoas de mais idades e normalmente sem muita mobilidade” e que não estão presentes em feiras e outros certames.

“São pessoas que acabam por estar esquecidas e têm um saber fazer precioso, então estes é que devem ser as bases do artesanato em Cabo Verde”, assegurou, adiantando que, a partir de agora, pretendem percorrer as outras ilhas primeiramente com os mestres e depois com os mais novos.

“O inventário a nível nacional começa nesta segunda fase de uma forma mais sistemática e prevê-se que esteja constituído até o final do projeto para que depois cada artesão novo que vier continuar a ser inventariado”, reforçou.

A primeira fase, que arrancou oficialmente em maio último, também permitiu, conforme avançou à imprensa a técnica Elisângela Monteiro, fazer um levantamento de todo o material bibliográfico e outros disponíveis para “criar uma base teórica que fundamentasse o projeto”.

“Fizemos cerca de 3.500 registos e por outro lado conseguimos inventariar outros artesãos, que não eram contemplados para esta primeira fase”, salientou, considerando ser uma “grande mais-valia” para que artesãos deste “país insular” possam conhecer os trabalhos uns dos outros.

Elisângela Monteiro referiu ainda ao selo “created in Cabo Verde”, que defenderá a “genuinidade e autenticidade dos direitos autorais”, que já está referenciado numa portaria, mas que precisa ser reformulado para que os artesãos e as lojas de distribuição tenham acesso.

Por agora, segundo a mesma fonte, ainda não há um tempo definido para essa efetivação, mas avançou alguns critérios para que os artesãos possam carregar o selo.

Entre estes, a necessidade de estar registado e ter a carta do artesão e atividade profissional também tem que constar do Código das Atividades Económicas (CAE) e tem que estar registado na segurança social e nas finanças.

As “Grandes conversas” prolongam-se até este sábado, 01 de dezembro, com vários temas em debate incorporados, tantos por oradores nacionais como internacionais.

LN/FP