O prémio Camões 2018, que participou na terceira edição do Morabeza – Festa do Livro, afirmou durante a Entrevista de Vida, no âmbito da programação do evento, que o livro Chiquinho, de Baltazar Lopes da Silva, é o que “melhor traduz a história cabo-verdiana”, sublinhando que é uma história que continua “intemporal”.

“Não se pode dizer que ‘Chiquinho’ é um livro antigo, continua presente e, sobretudo é importante, ler a obra para as pessoas deixarem de repetir as coisas que o mesmo denuncia”, afirmou o escritor, para quem esta obra é lida “fora de hora” e “em tempo inoportuno”.

“É preciso ter a vivência de Cabo Verde, da pobreza que é o país, das misérias por que passam todos, pelas afrontas que a história tem empregado, para a todo o custo impedir que essas coisas aconteçam outra vez”, prosseguiu Germano Almeida.

Segundo o mesmo, ‘Chiquinho’ é um livro que está nas escolas, mas é dado “demasiado cedo” para as crianças apreender a riqueza que representa, embora, sublinhou, seja “uma riqueza negativa”, porque “infelizmente ela traduz a desgraça do cabo-verdiano enquanto povo”.

Com relação à terceira edição da Morabeza-Festa do Livro, que este ano teve como palco principal a ilha do Fogo e extensão à Cidade da Praia, Germano Almeida mostrou-se satisfeito com a sua realização e a forma como foi organizada.

Ele, que participou nas três edições, disse que os festivais de literatura são uma forma de encontrar pessoas, “aprendendo e ouvindo umas coisas” dos autores, sublinhando que o festival “interessa mais pelo convívio” com as outras pessoas, com o “conhecimento que se tem dos outros, saber o que os outros pensam de nós e o que pensamos deles”.

Neste momento o escritor avançou que está a terminar a correcção do texto do seu próximo livro, um romance, que vai estar nas livrarias nos meses de Fevereiro ou Março do próximo ano, mas que ainda não tem um título, que vai ser atribuído pela editora.

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