Autor de mais de 200 composições de vários géneros tradicionais, José Maria Tavares Silva, ou simplesmente Tibau, natural da vila da Calheta do Maio, começou a compor ainda em tenra idade, pelo que gaba-se da sua música continuar a despertar a atenção de diferentes intérpretes para a gravação dos seus álbuns.

“Espero que no futuro próximo a nossa morna venha a ser classificada pela Unesco como Património Imaterial da Humanidade. Tenho criado muitas mornas, já fiz muitas homenagens à morna”, asseverou Tibau, que clama pela valorização da morna no seu todo com a criação de espaços propícios para a prática deste género musical.

Membro da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM), Tibau congratula-se com o facto dos compositores passarem a ser reconhecidos, com o argumento de que “ao longo do tempo e da existência da música cabo-verdiana, os autores perdiam sempre na imensidão”.

“Mesmo os reconhecidos como B.Léza e Manel d’Novas só ganharam alguma recompensa pela sua criatividade, após a aparição de Cesária Évora pelos palcos do mundo”, observou.

Isto porque, enfatizou, dantes ninguém se dava pelos direitos autorais, recordando mesmo que “grandes homens da música como Bana, Luís Morais e Paulino Vieira, foram bem activos na Europa, mas que não tinham sido reconhecidos os seus direitos autorais”.

Sublinhou que, pessoalmente, só começou a ser registado, em França, aquando da gravação do álbum “Ponciana” pela Lura, em 2005, ressalvando que havia sempre colecta pelo mundo inteiro, mas que os compositores cabo-verdianos não era remunerados.

Este artista, que já compôs temáticas para álbuns de Gabriela Mendes, Lura, Isa Pereira, Margarida Spencer, Zizi Vaz, Sandra Horta, Djila, e Milú Tavares, de ente vários outros interpretes, acredita que, com a dinâmica da SCM, estejam a serem criadas as condições para que os compositores possam ser recompensados pelos seus direitos autorais, o que “engrandece os autores e a música cabo-verdiana”.

Tibau considera que o reconhecimento pelos direitos autorais vai dar origem a uma nova fase de criadores, por acreditar que se trata de um incentivo que estimula a todos os criadores, razão pela qual destacou o trabalho da SCM na elevação dos autores e compositores.

Profissional da música nos últimos cinco anos, altura em que passou a integrar a banda alemã “Pupkulies and Rebecca”, com a qual tem já lançado dois álbuns, Tibau promete continuar a trabalhar para a divulgação da música tradicional cabo-verdiana.

Mostra-se determinado em levar a música cabo-verdiana para grandes palcos mundiais, realçando mesmo que ano transacto foi convidado a compor um tema para a promoção do “África Festival”, considerado o maior festival da música africana em toda a Europa, realizado em Alemanha.

Entende ser esta a sua forma de dar ao mundo a conhecer a musica cabo-verdiana, a sua cultura e suas gentes, enquanto cartão postal deste arquipélago.

O artista revelou a Inforpress que o seu projecto passa pelo lançamento, em Verão próximo, de um novo álbum, na linha da fusão entre a música cabo-verdiana e alemã.

Anunciou que, por proposta do produtor, compôs um reggae para o seu novo álbum.