Na sequência da polémica à volta da retirada das duas obras do artista plástico da exposição, alusiva às comemorações do 13 de Janeiro, na Assembleia Nacional, o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, através da Direcção Geral das Artes e das Indústrias Criativas, convidou o artista a expor as suas obras no âmbito do ciclo “Talentos Consagrados”.

“Essa exposição tem repercussão por causa da pequena censura ou escândalo que teve na Assembleia Nacional, em que algumas pessoas acharam que eu estava a ferir as suas sensibilidades e susceptibilidade, e, neste caso, o Ministério da Cultura convidou-me agora para fazer esta exposição”, disse o artista em declarações à Inforpress.

Para o artista, a exposição “Eros”, considerado o Deus do amor na Grécia antiga, é uma forma de mostrar que a arte, apesar de ser censurada desde do século XV quando Miguel Ângelo pintou a Capela Sistina, “não pode ser censurada”, mas sim deve prevalecer a “liberdade de expressão”, pois a arte sempre foi uma forma de “educação e de apreciação”.

Conforme disse, algumas pessoas por motivos religiosos ou políticos pensam que somente a sua moral é que deve prevalecer.

Entretanto, afirmou, através das suas pinturas tem a oportunidade de exprimir que o erotismo “faz parte da vida” e que às vezes há falso moralismo.

“O amor é um acto sublime e relação sexual não tem nada de pecaminoso e de mal, porque nós todos nascemos derivado disso, portanto não entendo porque as pessoas têm que ter todo esse preconceito sobre o sexo e a nudez”, considerou.

Tchalê Figueira defendeu que as escolas devem apostar em educação sexual para as crianças, pois ainda em Cabo Verde há muito tabu à volta deste assunto, e essa falta de educação sexual tem transformado muitos homens em pedófilos.

Para além da exposição, que será inaugurada hoje a partir das 18:30, a Direção Geral das Artes e Indústrias Criativas realiza no dia 29, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, uma conversa aberta sobre a “Arte em Cabo Verde”.