Iniciativa da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM), o octogenário Bitori Nha Bibinha, considerado uma autêntica lenda viva do funaná, fez vibrar a plateia com os seus êxitos “Bitori Nha Bibinha” e “Cabalo”, mas coube a Mindela Soares, uma jovem em plena ascensão, e com projeto para a sua primeira obra discográfica, abrir o palco desta segunda edição do evento.

Seguiu-se a jovem bravense Rosa Soares, uma artista promissora já a somar créditos firmados no agrupamento Brava Sete Lua, que, na sua primeira aparição ao público da capital, conquistou a afabilidade dos espetadores com a sua forma “simplista” de interpretar melodias que marcam a ilha.

Neusa de Pina,no estilo que lhe é peculiar, saudou a iniciativa numa verdadeira interação com o público, a base dos temas do seu álbum discográfico em promoção “Badia de Fogo”, para logo de seguida o líder da banda Cordas do Sol, Arlindo Évora, subir ao palco para manifestar todo o seu talento com interpretações de temáticas gravadas por este grupo genuíno de Santo Antão, como “Lume d’lenha”.

Nessa ocasião, o público foi brindado com a grande surpresa da noite, a cantora e irreverente Ceuzany que, com toda a sua energia contagiante, muito mexida, partilhou toda sua vivacidade com a euforia dos espetadores.

E foi assim que Gil Semedo, outra das grandes figuras da noite, subiu ao palco debaixo de uma grande ovação para reviver o seu “passado de oiro” dos anos 90, com temas que marcaram toda uma geração como “Suzy”, “Menina” ou “Jantar”, superiormente suportados pela banda Kakú Alves, com o público a não se fazer rogado em acompanhar “milimetricamente” a sua atuação.

Jenifer Solidade foi outra das rainhas desta homenagem, tendo sido acompanhada, igualmente, ao longo da sua exibição pela multidão, pois que conseguiu fazer aumentar a adrenalina, a ponto de Beto Dias, o “senhor do funaná”, encontrar a passadeira estendida para colocar a cereja no “topo do bolo”.

O autor de “Simsabeba”, “Ki vida” ou “Mamãe” recordou estes sucessos que estiveram na base da sua afirmação, com o público sempre a cantar e a dançar, tendo manifestado a sua exultação pelo facto da Sociedade Cabo-verdiana de Música  ter “conseguido, finalmente,  reconhecer os direitos autorais, num país cuja música é apontado como a sua grande imagem de marca”.

A homenageada esteve ausente, já que se encontra adoentada em Portugal, mas os artistas fizeram questão de interpretar algumas canções referenciadas como imagem de marca de Celina Pereira, como “Blimundo”, ao mesmo tempo que enalteceram o papel da artista na divulgação da cultura cabo-verdiana.

Quem também se mostrou rendido à homenagem foi cantor e compositor Gil Semedo que se regozijou pelo “momento e reconhecimento dos criadores”, por considerar que “mais vale tarde do que nunca”, alegando ser indispensável “que se pague pelo trabalho criado”.