Uma das “ várias novidades”, conforme Irlando Ferreira avançou à Inforpress, é, precisamente, este “aumento considerável” de expositores, que passaram de uma centena para 144, em relação ao ano passado, mas também a dinâmica, tanto da organização como dos artesãos, para que seja uma edição com “mais primor”.

Por outro lado, segundo a mesma fonte, destaca-se a vertente de debate trazida pela “Grandes conversas”, que tem oradores de “conhecimentos transversais e profundos”, tanto nacionais, como internacionais, de Portugal, Brasil, Guiné-Bissau, Burkina Faso e dos Açores.

“Penso que conseguimos reunir pessoas com conhecimento mais profundo nessa matéria e que vão trazer grandes contributos para o setor”, afiançou, enumerando alguns nomes da esfera nacional como Xande da Silva, Leão Lopes, João Lopes Filho, Manuel Faustino, Maria Estrela, Artur Marçal e outros mais.

Como outras das novidades pretende-se premiar o “melhor stand”, em apresentação e cumprimento do regulamento, que receberá o prémio “Djoy Soares”, criado em tributo ao artesão mindelense, falecido no último mês de março e que vai ser homenageado ao longo da programação até este domingo, 02 de dezembro.

“Não vai ser uma homenagem tradicional, mas sim vai ser feita com vários gestos e humanismo em que as pessoas vão percebendo o tributo que estivermos a fazer ao nosso saudoso Djoy”, lançou Irlando Ferreira.

Durante o certame realiza-se ainda uma residência criativa, que neste ano terá uma peça projetada por Manuel Figueira e concebida pelos seus “discípulos diretos”  Joana Pinto, João Fortes e Marcelino Santos, que com base na técnica de tapeçaria nacional vão a abordar, conforme a mesma fonte, numa perspetiva “completamente atual” com experimentação de materiais e de conceitos.

“Renda Brava” é outros dos componentes da Urdi, em que, ajuntou, desafiaram o artesão João Fortes a desenhar peças de renda que retratam a vivência cabo-verdiana, e assim acabar com a tendência de “imitar motivos de outras paragens”.

As peças criadas foram, num segundo momento, trabalhadas por duas designers “da casa”, Carine e Risiline e que depois foram concebidas por sete rendeiras da ilha Brava.

Faz parte ainda da URDI a exposição da artista plástica Manuela Jardim, que fez um período de investigação no Centro Nacional de Artesanato (CNA) ainda no tempo de Manuel Figueira e cuja obra desenvolve-se à volta da panaria cabo-verdiana e da Guiné-Bissau.

Aliás, é à volta do tema “CNA e a sua importância na criação de uma entidade visual cabo-verdiana” que se desenrola toda a programação da URDI, que abre as portas nesta quarta-feira com a mostra de produtos artesanais, na Praça Nova.

O evento oficial de abertura acontece pelas 18 horas e deverá contar com as presenças do ministro da Cultura, Abraão Vicente, o ministro do Turismo e a Economia Marítima, José Gonçalves, o presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Augusto Neves e outras personalidades.

Na quinta-feira dá-se início às “grandes conversas” às 09:00 e na sexta-feira inaugura-se o salão “Created in Cabo Verde”, pelas 18:00, que terá em exposição as peças vencedoras do concurso “Boka Panu”, anunciados no mês de outubro, e que instou artesãos, designers e arquitetos a propor “novas abordagens” da panaria tradicional cabo-verdiana.

A feira terá ainda “Food design” de gastronomia, “volta pa ateliê”, oficinas, com a participação de dois artesãos de mais de 80 anos, e concertos musicais pela cidade com artistas de São Vicente, Santa Catarina (Santiago) e Brava, estes dois últimos, que são os “municípios de destaque” desta edição.

Desta forma, que Irlando Ferreira convida todos a tirar proveito deste “momento único” que é a URDI e que representa, assegurou, “um movimento de pessoas, ações, ideias e atuações”.