A informação foi avançada à Inforpress pelo diretor do Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD), instituição que organiza a feira juntamente com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e que explicou se tratar da segunda edição do concurso enquadrado na Urdi, que no ano passado abordou o “design de objetos no interior das nossas casas”.

Agora traz o “Boka panu”, concurso que tem como tema “o padrão da panaria cabo-verdiana enquanto matéria criativa”, a partir da matriz tradicional.

“O objetivo é saber com um criativo vai pegar no padrão e como o pode transformar ou o repensar e, a partir daí, desenhar outras coisas do ponto de vista estético, utilitário e não só”, explicou Irlando Ferreira, que acrescentou não ser somente utilizar o “panu di terra” e aplicar numa camisa, por exemplo.

“Queremos que haja propostas e reflexões profundas e de que forma a nova abordagem poderá ser uma matéria valiosa e rica para o nosso pensamento, sobretudo no campo do design”, desafiou o responsável, para quem esta mostra-se uma forma de incentivar cada vez mais a criatividade.

Neste sentido, segundo a mesma fonte, é “sempre bom ver para a nosso património cultural e imaterial a partir dos nossos valores”, na medida em que permite “sempre ter um posicionamento na globalização”. Enquanto, se acontecer o contrário, copiar de fora de para dentro, asseverou, “pode levar à fragilização”.

Com este propósito, ajuntou, que se lança este concurso, com prazo de inscrição até dia 28, direcionado, sobretudo a designers, arquitetos, artesãos, mas também a demais criativos que se “queiram aventurar”.

O anúncio das propostas selecionadas pelo júri, 15 no máximo, está previsto para acontecer a 05 de outubro, sendo que a melhor peça vai ser agraciada com um prémio monetário de 60 mil escudos.

Os projetos selecionados, segundo a mesma fonte, terão a execução das peças com custos assumidos pela organização do evento e ainda vão estar em exposição no “Salão de Design-Created in Cabo Verde”, realizado no âmbito da Urdi.

As peças também passam a fazer do espólio do CNAD e de um catálogo a ser editado no próximo ano. Conta-se ainda, conforme Irlando Ferreira, com a possibilidade de comercialização das obras, a ser feita “em consenso com os criadores”.

O “Boka Panu” antecede assim a organização do Urdi, marcado para 28 de novembro a 02 de dezembro, e que neste ano, aborda como tema base a “Importância” que o Centro Nacional de Artesanato, fundado por Bela Duarte, Luísa Queirós e Manuel Figueira, teve na “criação da identidade visual cabo-verdiana”.

“Pretende-se analisar como esta instituição e como esse núcleo de cabo-verdianos olhavam para território e para a comunidade enquanto matéria de estudo e multiplicação de saberes e ainda ampliação da nossa realidade”, lançou Irlando Ferreira.

A feira de artesanato e design, que este ano vai ser alargada para mais um dia, como adiantou o responsável, “a pedido do público”, promete “novas surpresas”, de forma a mostrar “o imenso potencial do cabo-verdiano”.