O elenco e a equipa de “Romeu ma Julieta, Um tragédia crioula” chegaram na manhã desta sexta-feira, 13, à cidade da Praia onde irão fazer a apresentação da peça teatral este sábado na Assembleia Nacional.

O grupo reuniu-se esta manhã em conferência de imprensa que contou com a presença do Diretor Nacional das Artes, Adilson Gomes, em representação do Ministério da Cultura e Indústrias Criativas.

“Romeu ma Julieta, Um tragédia crioula” resulta de uma co-produção com a companhia de São Paulo, Caixa Preta, no âmbito do Mindelact 2017. A peça estreou em novembro do ano passado no Festival de Teatro em Mindelo e no mês passado contou com mais duas apresentações, todas elas com sala esgotada.

O trabalho de apropriação do texto ‘Shakespeariano’ para a língua cabo-verdiana foi da responsabilidade do dramaturgo Emanuel Ribeiro e foi altamente elogiado pelo diretor artístico João Branco. “O que ele fez foi uma obra monumental naquilo que podemos designar de valorização da língua crioula. Não é um espetáculo que apenas se vê mas que se ouve também, aliás como no tempo de Shakespeare em que o teatro ouvia-se mais do que se via”, disse.

Todo o texto que irá ser apresentado está, do princípio ao fim do espetáculo, em verso. “Resultou num espetáculo de grande beleza dramatúrgica e poética. É como se o público estivesse a ouvir um texto poético todo em rima”, acrescentou.

Para a formação do elenco foi realizado um casting em Mindelo já que, segundo explica João Branco, o objetivo da produção foi sempre o de envolver toda a comunidade artística de São Vicente. “ Não escolhemos nem convidámos um grupo especial para fazer esse espetáculo”. O casting foi coordenado por João Branco e Janaína Alves e espetáculo foi encenado por Fabiano Moniz.

Segundo João Branco, trata-se de um espetáculo “extremamente complexo” em que os atores não saem de cena do início ao final do espetáculo. “Os 11 atores do elenco estão permanentemente em cena”, explicou.

Deka Saimor, jovem atriz mindelense de 19 anos, é “Julieta” na peça e fala da responsabilidade que é encarnar uma das personagens mais emblemáticas. “É uma responsabilidade mas acho que independentemente da produção que seja, há trabalho. Não importa o papel, se tem mais ou menos texto. O ‘Romeu ma Julieta’ é uma produção que me deu muito trabalho sim, a nível do texto, interpretação, encenação”.

Um dos maiores desafios que Deka Saimor teve de superar foi o medo de altura. “Sofro de vertigens e tenho mesmo medo de altura. Praticamente 90% das cenas passam-se em cima de mesas. Foi mesmo desafiante mas tenho um ótimo colega de cena, o Milton, já nos conhecemos há muito tempo. Acho que o público vai gostar da peça e estou muito feliz de estar aqui e poder apresentar a peça na cidade da Praia”.

Milton Pires é “Romeu” e foi com entusiasmo que falou da sua participação na peça. “É um grande desafio dar vida a este personagem porque tanto quanto ao “Romeu” como à “Julieta” já existe um estereótipo e as pessoas já colocam uma expetativa nesses papéis e por esse motivo fica um pouco difícil. Mas é um bom desafio quando há vontade para trabalhar e há amor, neste caso pelo teatro. Fazemos com boa disposição, muito amor e tudo fica mais fácil. Há sempre trabalho a fazer, independentemente do papel, e nós só temos que dar o nosso melhor e ser bons no que fazemos. Ficarei contente se todos forem assistir”, afirmou.

A capital é a primeira cidade a receber a peça a seguir a Mindelo e, segundo João Branco, é claro que há vontade de levar o “Romeu ma Julieta” a outros cantos do arquipélago mas frisa que há ainda dificuldades nesse sentido não só quanto às deslocações mas também relativamente à falta de algumas infraestruturas. No caso desta peça, por exemplo, partes do cenário e o próprio elenco “não cabe em 90 % dos palcos que existem em Cabo Verde”.

Questionado sobre como vê o teatro em Cabo Verde, João Branco contou que é com “muito otimismo”. “O teatro há 20 anos era uma arte praticamente desaparecida em Cabo Verde e hoje socialmente reconhecida e com uma visibilidade muito superior. Arrisco-me a dizer mesmo que o teatro, depois da música, é a arte que de certa forma tem mais visibilidade social e mediática”.

“Romeu ma Julieta, Um tragédia crioula” é apresentado este sábado, 14, na Assembleia Nacional pelas 21 horas. A peça tem duas horas de duração, sem intervalo.

O diretor artístico aproveitou o final da conferência de imprensa para sublinhar que as portas serão abertas às 20h50 e o espetáculo irá começar, impreterivelmente, às 21h10, dando assim uma tolerância de 10 minutos ao público. “Quando as portas forem fechadas já não vamos autorizar a entrada do público atrasado. É importante termos essa educação de respeitar os horários”, referiu.