O ano de 2018 foi rico em termos culturais com a realização de várias atividades, entre as quais, lançamentos de E.P e de livros, digressão de artistas, espetáculos musicais, conferências, bem como conservação e preservação de patrimónios, entre outros.

Entretanto, o destaque vai para a entrega por Cabo Verde, na Unesco, em Paris, do dossiê de candidatura da morna a Património Imaterial da Humanidade, no dia 26 de Março.

Antes de partir para Paris, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente disse aos jornalistas que Cabo Verde tem todas as possibilidades de ter uma candidatura de “sucesso” junto da Unesco, pela qualidade técnica do dossiê.

Um mês antes da entrega da candidatura, em Fevereiro, o parlamento cabo-verdiano aprovou por unanimidade o dia 3 de Dezembro como o Dia Nacional da Morna, data em que nasceu Francisco Xavier da Cruz, mais conhecido por B.Léza  (1905-1958), considerado um dos maiores compositores do país do género musical.

Com a instituição desta efeméride, os cabo-verdianos comemoraram, pela primeira vez esta data, com a realização de uma conferência sobre B.Léza e exposição, e ainda foram realizadas várias noites de homenagem a este ritmo que projectou Cabo Verde na voz de Cesária Évora, Tito Paris, Ildo Lobo, Bana, entre outros músicos.

Outro grande acontecimento deste ano, foi o anúncio do Prémio Camões 2018, no mês de Maio, em que o escritor cabo-verdiano Germano Almeida foi o galardoado, tendo recebido o prémio no mês de Setembro no Rio de Janeiro, no Brasil.

Germano Almeida é o segundo autor de Cabo Verde a vencer o mais importante galardão de literatura de língua portuguesa, atribuído sobretudo a portugueses e brasileiros desde a sua criação, em 1988. O primeiro foi Arménio Vieira, em 2009.

Outro evento igualmente assinável ocorreu em Fevereiro, altura em que esteve na cidade da Praia, para uma conversa aberta, o escritor moçambicano Mia Couto, que não conseguiu participar na I edição da Festa do Livro Morabeza em 2017.

Enquadrado no Plano Nacional de reabilitação dos edifícios históricos, traçado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), o Instituto do Património Cultural (IPC), iniciou, no mês de Março, a primeira fase do projeto de reabilitação da Igreja de São Tiago Maior, em Santa Cruz, e os trabalhos de escavações arqueológicas.

Já no mês de Abril a capital cabo-verdiana recebeu a 10ª edição do Kriol Jazz Festival, com homenagem aos grupos, Tubarões e Bulimundo, seguido da sétima edição do Atlantic Music Expo (AME), realizado, pela primeira vez, pelo sector privado, depois da renúncia do Governo em continuar a financiar o AME.

Este evento reuniu mais de 200 músicos, sendo 120 internacionais e 70 nacionais para atuarem e participarem em workshops, conferências, one to one, meetings, daycases e showcases.

Cabo Verde e a Coreia do Sul assinalaram, no mês de Abril, o 30º aniversário das relações de cooperação e amizade com um espectáculo de música e dança, no Auditório da Assembleia Nacional.

A Praia celebrou os 160 anos da sua elevação à categoria de Cidade, a 29 de Abril, com várias atividades, tendo a edilidade presenteado os munícipes com o Platô remodelado e um espetáculo de música na Quebra Canela e o habitual Festival da Gamboa.

A capital do país acolheu, em Maio, a VIII gala de premiação da música cabo-verdiana, Cabo Verde Music Award (CVMA), sendo que os grandes vencedores da noite foram Elida Almeida com cinco prémios, Blacka com três, incluindo música do ano, e Djodje também com três prémios, incluindo melhor no palco.

Na mesma noite, a empresa cabo-verdiana Bonako lançou a primeira plataforma de streaming feita em Cabo Verde “Muska”.

No mesmo mês, o documentário “Bidon: Nação Ilhéu”, dos realizadores cabo-verdiano Celeste Fortes e Edson Silva, foi o projecto seleccionado para receber apoio financeiro, no âmbito do Concurso internacional do programa audiovisual “DOCTV CPLP III”.

O Governo, reunido em Conselho de Ministros, aprovou o projecto de proposta de Lei que regula, pela primeira vez em Cabo Verde, as Entidades de Gestão Colectiva do direito de autor e direitos conexos.

Ainda no mês de Maio, o grupo “Rabelados” voltou a pisar os palcos de Cabo Verde, depois de 20 anos separados, com realização de dois concertos, na cidade de Assomada e no Parque 05 de Julho, na cidade da Praia.

Fundada em 2003, a banda Primitive celebrou também a década e meio com lançamento do seu primeiro trabalho discográfico “Odju Ki ta txekau” que traz composições gravadas ao longo desses 15 anos.

No âmbito do projecto de arqueologia subaquática “CONCHA”, no mês de Abril e Agosto, os mergulhadores de Portugal e nacionais, realizaram o primeiro mergulho no ancoradouro da baia da Cidade Velha, na Urânia (baía do Ilhéu de Santa Maria), e baía de São Francisco, para pesquisas subaquáticas.

A ilha do Sal recebeu, em Junho, a segunda edição do Festival literatura – Mundo do Sal, um evento promovido pela autarquia local, e na altura foram homenageado os poetas Mário Fonseca (Cabo Verde) e Jorge Luís Borges (Argentina).

A mesma ilha foi palco da VI edição do Festival Nacional de Teatro, denominado “Sal EnCena”, de 14 a 17 de Junho, em que passaram pelo palco 17 espectáculos e 38 actores de diferentes pontos do arquipélago.

No mês de Julho, a Artemedia Zwela realizou a quarta edição da Gala “Somos Cabo Verde – Os Melhores do Ano” e nesta gala o artista plástico Tutu Sousa foi agraciado com o prémio “Homem do Ano”, enquanto Maria Isabel Andrade, que se tem dedicado à pesquisa científica em prol do desenvolvimento e da segurança alimentar, foi eleita “Mulher do ano”.

A Sociedade Cabo-verdiana de Música foi eleita membro da Direcção do Comité Executivo do Centro Africano de estudos e pesquisas em estratégias para desenvolvimento de direitos autorais e direitos conexos, em Marrocos.

No mesmo mês, foi empossada a Comissão Nacional de Onomástica, entidade formada por nove membros e presidida pela linguista, Adelaide Monteiro, que terá funções de regular a atribuição de nomes próprios no país.

Já em Outubro, a cidade do Mindelo, em São Vicente, recebeu a II edição da “Morabeza- Festa do Livro”, que contou com a presença de Germano Almeida, Lazaro Ramos, Miguel Sousa Tavares e Shauma Barbosa.

Outro evento que marcou a cultura, foi a realização da primeira edição da “Viagem pela História”, no dia 28 de Setembro, na Cidade Velha, sob o lema “o berço da crioulização”.

Nesta recriação do ambiente dos séculos XV e XVI em alguns pontos da Cidade Velha foram destacados três momentos da história de Cabo Verde, designadamente a chegada dos jesuítas (05 de Julho de 1604), o ataque do pirata Jacques Cassard e a fuga de escravo.

Na cidade da Praia, a Companhia de Teatro Fladu Fla promoveu a II edição do Festival de Teatro do Atlântico que contou com a participação de 19 grupos de teatro a nível nacional e internacional e três contadores de estórias.

Já São Vicente foi também palco de mais uma edição do Festival Internacional do Teatro (Mindelact) que aconteceu de 2 a 11 de Novembro, com cerca de 60 espetáculos e 160 artistas locais, nacionais e internacionais, representando 14 países.

O Grupo Carnavalesco Vindos do Oriente, bi-campeão do Carnaval de São Vicente, anunciou em Novembro, que vão ficar fora do desfile de 2019, por discordar de “decisões administrativas” da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval.

O escritor cabo-verdiano José Luiz Tavares venceu no mês de Dezembro o Prémio INCM/Vasco Graça Moura 2018 (Poesia), pelo seu trabalho “Instruções para Uso Posterior ao Naufrágio”.

No dia 11 deu-se início às obras de reabilitação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, na Cidade Velha, orçadas em 50 mil contos.

Durante todo o ano, o Palácio da Cultura Ildo Lobo, na cidade da Praia, foi palco de inúmeras exposições de pintura, fotografias e esculturas e a nível da música muitos artistas apostaram em lançamento de ‘singles’ e na divulgação de Extended Play (E.P) nas principais plataformas digitais.

Na literatura foi feito o lançamento de “Ritual de Apanha de espírito em Santiago de Cabo Verde de Arlindo Mendes”, “Uma história Inacabada” de Euclides Fontes, Tomé Varela da Silva lançou o livro de poesia “Amor I Kiriason” (Amor e criação), o antropólogo Manuel Brito Semedo lançou “A representação social do médico em Cabo Verde”, entre outros.

Durante o ano de 2018, a cultura cabo-verdiana ficou mais pobre com a morte de António Vaz Cabral (Ntóni Denti D’oru) (27/09), do compositor e interprete, Daniel Varela “Putchota” (8/12) e da rainha da Tabanca da ilha do Porto Inglês, Josefa Freire, mais conhecida por Chépa Mamai (27/12).

O ano de 2018, a nível cultural, termina em grande com a habitual Noite Branca, um evento realizado pela Câmara Municipal da Praia, cuja abertura está prevista para o dia 21 de Dezembro.