A vinda da equipa do Teatro Nacional de São João, Porto (Portugal), enquadra-se no protocolo assinado entre os ministérios da Cultura dos dois países e esta instituição de artes cénicas, mas também para participação no Festival Internacional do Teatro – Mindelact, explicou Nuno Cardoso à Inforpress.

Neste sentido, de hoje até dia 07, estão programadas audições, mas, que o encenador prefere chamar de “conversas”, a fim de se ter um “conhecimento profundo” das capacidades e da “matéria-prima” que vai ser utilizada para se criar, em 2020, no Porto, um espaço de trabalho, com criadores, actores e técnicos cabo-verdianos.

“Estamos a fazer um conjunto de encontros e de conversas com pessoas ligadas ao teatro para que eles nos digam olá e que possamos fazer um trabalho juntos”, assinalou a mesma fonte, adiantando que este projecto, a concretizar-se, vai ser um “trabalho profundamente sério, exigente e digno”, que mostrará o “melhor” dos dois países e das interacções da língua portuguesa.

A peça com o grupo residente do teatro português tem a estreia marcada na cidade de Aveiro e fará uma digressão por Portugal até à casa-mãe, em que estará um mês em cena, durante o mês de Abril, e depois partirá de novo em digressão, inclusive para outros países.

De seguida, a história de “A Castro” deve ser feita com elenco cabo-verdiano, que vai recriar esta “história de uma mulher forte, mas que é perigosa para o ‘status quo’, mas com ressonâncias em qualquer sociedade”, assegurou Nuno Cardoso.

“O tempo e a forma como vai ser feita aqui em Cabo Verde ainda está muito em aberto, vai depender muito deste primeiro momento de conhecimento”, disse o encenador, adiantando que as audições acontecem na cidade do Mindelo e também na cidade da Praia, a partir do dia 08, para se encontrar o elenco, que deverá ser constituído com sete a nove actores.

Também para se darem a conhecer, alguns elementos do elenco português estão neste momento em São Vicente para participar do Mindelact e apresentar dois espectáculos, tanto ao público mindelense, como da capital do país.

Um destes é a peça “Bella Figura”, que abre o festival nesta quarta-feira, e cuja estreia aconteceu no ano passado e foi, conforme a mesma fonte, refeita este ano. Uma “tragicomédia” falando sobre a história de dois casais com suas “angústias, frivolidades, hipocrisias, cobardias, mentiras”, que chega agora a Cabo Verde depois de passar por Madrid (Espanha) e em que participam cinco actores da “A Castro” encenada em Portugal.

No pacote das apresentações entra ainda “Achadiço”, incorporado pelo próprio Nuno Cardoso, que tenta, segundo o próprio, contar a história de alguém que nasceu depois do 25 de Abril e ao mesmo explicar como se analisa uma peça de teatro clássica.

O protocolo assinado entre o Teatro São João e os ministérios da Cultura de Cabo Verde e Portugal, com a duração de três anos, contempla, entre outros pormenores “acções conjuntas no âmbito da produção e exibição das artes cénicas”, mas também no campo da formação e pesquisa teatral.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.