Em declarações à Inforpress a cantora explicou que após chegar a Cabo Verde para conhecer a sua ancestralidade, pensou no que poderia fazer para ajudar os músicos da Boa Vista que estão sem rendimentos, por causa da Covid-19, numa ilha que depende do turismo.

A cantora, que é bisneta da Maria Bárbara, uma das primeiras cantadeiras a internacionalizar a morna, contou que sugeriu criar, em parceria com a Associação dos Músicos da ilha da Boa Vista, a campanha solidária “7 dias 7 mornas”.

“Aquilo que mais faço é cantar e sendo que trabalho em comunicação, pensei em aliar as minhas competências para tentar fazer alguma coisa e surgiu a ideia da campanha solidária online para mobilizar recursos para ajudar os músicos da ilha”, informou Bárbara que se encontra na ilha da Boa Vista desde Março para conhecer as suas origens genealógicas e a herança cultural da ilha onde nasceram a suas avós, Maria Bárbara e Clarisse Pinheiro.

Segundo a artista, será colocado online, durante sete semanas, um vídeo de uma morna e junto estará disponibilizado o número da conta bancária da Associação de Músicos da Boa Vista, em que se poderá depositar alguma quantia para ajudar os músicos da ilha, uma vez que as actuações escassearam devido a pandemia da covid-19.

Bárbara Wahnon disponibilizou hoje nas redes sociais o primeiro vídeo gravado com a morna Fidju Maguado, de Jotamont.

“Escolhi partilhar esta morna primeiro porque para mim ela representa o que sinto quando penso no sofrimento trazido pelo COVID-19. Ainda assim, enquanto aqui estou na Ilha da Boavista, observo que o povo cabo-verdiano é incrivelmente resiliente e tem uma capacidade muito bonita de fazer luz no escuro”, disse a cantora.

E assim, escolheu como cenário para gravar Fidju Maguado, nas imediações da capela de Nossa Senhora de Fátima, que se situa perto da cidade de Sal-Rei, numa das zonas mais áridas da ilha da Boa Vista, perto do mar, num ponto elevado e que até finais de 2000 esteve em ruínas, tendo sido posteriormente reconstruída.

A artista assegurou que houve o cuidado de escolher cenários que complementam o significado de cada morna a ser gravada e que explique um pouco a sua história.

Na lista de mornas seleccionadas entram Biografia de um crioulo, Dona Ana, Sodade, Lamento de um emigrante, Boa Vista nha terra e Maria Barba, que tem como nome da co-autora, sua bisavó, Maria Bárbara, música que até hoje é cantada por muitas vozes do arquipélago.

“Peço que mesmo que as pessoas que não possam contribuir, pelo menos que divulguem pelos amigos nas redes sociais, na expectativa de chegar ao maior número de pessoas”, pediu Bárbara.

Além de ajudar os músicos com “7 dias 7 mornas”, Bárbara Wahnon quer aprender o crioulo, cantar bem a morna e levar este aprendizado aos amigos, em Portugal, e para as pessoas que são simpatizantes da cultura cabo-verdiana, despertando-lhes esta sensibilização de mobilizar recursos para ajudar os músicos da ilha da Boa Vista.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.