Hamilton Fernandes falava à imprensa após realizar uma visita às escavações arqueológicas e ao projecto de reabilitação da capela de Imaculada Conceição, fazendo-se acompanhar do edil Herménio Fernandes, cujas obras de reabilitação iniciaram-se pelas escavações.

Com a referência histórica dessa ribeira é do século XVI, com a “estrutura arquitectónica ímpar”, ou seja, em forma de cúpula, mais o outro “contexto ímpar” da mesma, que é enterramento, este responsável não tem dúvidas que estão a criar mais uma narrativa histórica para o turismo cultural e religioso.

Tudo isso, no seu entender, vai permitir o incremento de visitantes, aliás, informou que é que se prevê com tais intervenções em curso.

“Com um espaço devidamente estruturado e com uma narrativa histórica muito forte é um atractivo sem dúvida para a comunidade, para quem visita, mas também para os próprios investigadores”, disse, referindo-se ao contexto impar dessa capela que é enterramento.

Sobre os corpos encontrados, o presidente do IPC adiantou a descoberta encontra-se em fase de estudo para depois serem identificados.

Nas escavações que decorrem no local, os técnicos do IPC já deram início aos trabalhos no interior da capela, onde procedeu-se à remoção dos picos, reboco das paredes, feito de areia e cal, e ainda encontraram vestígios de quatro esqueletos conectados.

A este propósito, a arqueóloga do IPC Nireide Tavares explicou que a escavação arqueológica realizada no contexto funerário visou chegar nos enterramentos, e defini-los e levantar as suas características.

Relativamente aos quatro corpos encontrados, a mesma fonte informou que pelas características e formas como estas pessoas estão enterradas, ou seja, com cara virada para o altar e pelo facto de as encontrar com rosário, tudo os leva a afirmar que as mesmas são pessoas ligadas à igreja.

Por outro lado, esta arqueóloga informou que provavelmente podem existir mais corpos quer dentro da capela e fora, tendo em conta que outrora estas áreas eram utilizada para espaço sepulcral.

“Para este contexto vamos parar as escavações, mas se for preciso aprofundar na investigação vamos avançar com novas escavações arqueológicas”, disse, avançando que já tiraram as amostras dos cadáveres encontrados para análises em laboratório de antropologia forense fora do país.

A reabilitação da capela de Flamengos, enquadra-se no Plano Nacional de Reabilitação dos Edifícios Históricos, traçado pelo Ministério da Cultura e das Industrias Criativas, através do IPC, e é financiada pelo Governo de Cabo Verde, através do eixo IV do Programa de Requalificação, Reabilitação e Acessibilidades (PRRA).

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