O chefe de Estado fez estas considerações no acto de abertura da terceira edição do Festival Literatura Mundo, a que presidiu, pela terceira vez consecutiva, não só nessa qualidade, como também na de escritor.

Segundo Jorge Carlos Fonseca, as páginas e os suplementos literários “parece se extinguirem” um pouco por todo o mundo, a literatura “parece perder terreno” junto dos mais jovens, para outras formas de lazer “mais apelativas e menos exigentes”, porém, surgem, conforme disse, cada vez mais espaços e encontros como este, que também não existiam, há uns trinta, quarenta anos.

“São festivais e encontros desta natureza que poderão trazer para a literatura novos leitores, provocar essa tentação de descobrir um mundo de inesgotáveis emoções, de lhes mostrar outras possibilidades de sonho e de imaginação”, frisou.

“Mas, com mais ambição, auguro estarmos aqui a colocar uma pequena pedra na construção de um Cabo Verde efectivamente desenvolvido, com elevado desenvolvimento cultural e humano, um país bem mais igual e justo, se possível com a literatura e a poesia a inundar as ilhas, as rochas, os mares, os ventrículos e as cidades todas”, almejou o Chefe de Estado cabo-verdiano.

Jorge Carlos Fonseca anotou que fronteiras e os lugares das literaturas permitem, pela sua “dinâmica e particular respiração”, provocar e estimular debates “ricos e interessantes”.

“É o que eu desejo a todos: organizadores, escritores, professores de literatura, especialistas, jornalistas e todos os participantes, nestes dias em que as letras cobrirão a planície árida, mas não estéril, desta ilha acolhedora, que também foi chão de poetas e sonhadores”, finalizou.

Todos os anos o festival homenageia dois escritores, um nacional e outro estrangeiro.

Esta edição o alemão Goethe e a escritora cabo-verdiana Orlanda Amarilis são os reverenciados deste ano.

Promovido pela Câmara Municipal do Sal, a organização da Rosa de Porcelana Editora e curadoria científica de Inocência Mata,o festival propõe reflectir e debater o alargamento dos cânones literários, visibilizar as várias literaturas dos países e inscrever Cabo Verde na rede internacional da Literatura-Mundo.

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