O romance, que tem como título “Tempo de John, tem como co-autores Pitt Reitmaier e António Pedro Delgado, narra  a história da “triste e catastrófica fome de 47 ” em Santo Antão e o coincidente encalhe do navio a vapor John E. Schmeltzer, em Ponta Canjana, no litoral sudoeste do Porto Novo, com um carregamento de milho em granel.

O lançamento do livro tem lugar a 23  de Novembro, na cidade do Porto Novo, no quadro das comemorações dos 72 anos do encalhe, que aconteceu às 05:49 do dia 25 de Novembro de 1947.

John Schmeltzer, procedente de Rosário na Argentina, com destino à Suécia, trazia a bordo 7.179 toneladas de carga bruta (milho vermelho a granel e outros) e o naufrágio, para as pessoas que  testemunharam esse acontecimento, foi a “salvação do povo”, numa altura em que a fome dizimava os cabo-verdianos.

“John”, como ficou conhecido este navio da marinha mercante dos Estados Unidos da América (EUA), acabou por salvar “parte significativa” da população de Santo Antão de morrer à míngua, na sequência da fome de 1947.

Este acontecimento, que aconteceu em plena segunda guerra mundial, é, também, tema de um filme do grupo teatral santantonense Juventude em Marcha, lançado há quase um ano e que está ser promovido no arquipélago e na diáspora.

Por ocasião das comemorações dos 70 anos do encalhe, a Inforpress publicou uma reportagem, com o titulo “Há males, que vêm para bem”, sobre o facto, ouvindo algumas pessoas que vivenciaram-no, como foi o caso da Dona Pinga, que “já rapariga feita”, viria a ser mãe em Canjana de Carlos Alhinho, antigo estrela do futebol.

Segundo dona Pinga, havia muitas mortes, mas também havia muita festa em Canjana, onde,  mesmo em circunstâncias difíceis, as pessoas celebravam a vida que se tinha tornado possível com a chegada do milho do “John”.

Pitt Reitmaier, médico alemão, já reformado, que desempenhou, entre 1981 e 1984, as funções de delegado de saúde do Porto Novo, e agora co-autor o romance,  contou que Canjana se tornou, também, um local de divertimento e era um centro de comércio que ligava Santo Antão e São Vicente.

“Sim, o milho que o ‘John’ trazia a bordo fez escapar muita gente, mas também matou bastante. Nem tudo foi um mar de rosas”, lembrou Félix Santos, com 21 anos, na altura do encalhe.

Canjana reúne as condições para ser reconhecido como património histórico-cultural cultural de Santo Antão, uma ideia defendida pelos autarcas santantonenses, agentes culturais e operadores turísticos.

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