O livro, em si, constitui um romance com o passado, uma compilação de diversas passagens, que a memória registou, constituindo o acervo de informações que o autor considera poder ser de interesse para as gerações actuais, ávidas pelo acesso ao conhecimento dos antecedentes históricos que alicerçaram a criação do Concelho de Santa Cruz.

Este oficial superior na reforma recorda no livro que o município integrava duas freguesias com extensas áreas, lembrando que Santa Cruz “soube conviver com diversificados problemas, decorrentes duma penosa e prolongada estiagem, relegando a sua população rural aos incansáveis desafios, pela sobrevivência, recorrendo-se ao trabalho de estradas e/ou à imigração forçada para as Roças de S. Tomé e Príncipe, como contratado”.

“Nesta perspectiva, o leitor deve ter presente que se trata duma conversa, entre gerações, como se tratando de um legado pessoal, para os gestores do amanhã, daquele concelho, ciente de que todas e quaisquer dificuldades, por maiores que pareçam ser, existem, sempre, saídas para ultrapassá-las, como aprendemos, com os nossos antecessores”, explicou à Inforpress.

Esse perseverar e o saber driblar as adversidades, do quotidiano, serviram de incentivos para a escrita deste livro, por considerar dever de singela gratidão e justa homenagem ao concelho de Santa Cruz d’outrora e suas gentes, desde Montanha dos Órgãos aos confins da Ribeira de Saltos Abaixo.

António Carlos Tavares trabalhou no concelho de Santa Cruz de 1973 a 1975 como Aspirante Administrativo, depois de submetido ao concurso público, para os efeitos afins, tendo sido classificado em primeiro lugar, proeza que lhe proporcionava o direito de escolha, entre as diferentes opções, do local onde queria ser colocado.

Ao invés de se deixar acomodar às condições urbanas, “como era, aliás, a previsibilidade de alguns, que ficaram surpresos com a renúncia de melhor ambiente de trabalho”, optou pela escolha na administração civil de Santa Cruz quando existiam vagas nos Serviços Centrais da Administração Civil, nos Concelhos da Praia e Concelho da Ribeira Grande, na Ilha de Santo Antão.