O técnico de Educação José Maria Borges e a linguista Adelaide Monteiro foram empossados, hoje, pelo ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, no salão de banquetes do Palácio do Governo, na Cidade da Praia.

Ciente do desafio do ANCV, no domínio da preservação, dinamização e democratização do património cultural e arquivístico documental, o conservador José Maria Borges, traçou como prioridade a atualização do inventário, a conservação do restauro dos seus fundos, a digitalização de todo o acervo documental, o armazenamento e disseminação desses fundos, bem como a criação do sistema nacional dos arquivos.

Conforme assegurou, a concretização desses desafios passa por uma aposta na motivação, na formação, capacitação e renovação dos recursos humanos existentes, criando condições para satisfação de algumas reivindicações dos mesmos, bem como investir na infraestruturação e inovação tecnológica.

José Maria Borges espera contar com o envolvimento de todos funcionários no processo de gestão do arquivo e no cumprimento da missão da mesma.

Por sua vez, a nova curadora da BNCV, Adelaide Monteiro, disse que assumiu esta curadoria com sentido de responsabilidade de que a gestão da biblioteca não se trata apenas de cuidar de todo o acervo bibliográfico do país, mas ciente da responsabilidade de executar a política do livro e da leitura.

Com base nos instrumentos, o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (educação e cultura) e os Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, no seu ponto quatro (assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos), a BNCV, assegurou, passará a ser a “casa da literatura” para promover oportunidade de aprendizagem.

Neste sentido, garantiu que vão disponibilizar programas de leitura para os “recém-chegados” ao mundo do livro, e ainda vão disponibilizar, ao acervo da biblioteca, livros em língua gestual e livros em braile.

“Estes são aspetos a serem levados em devida conta, quer na dinamização das bibliotecas escolares, a decorrer em parceria com a Direção Nacional de Educação com o financiamento do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, bem como na elaboração do Plano Nacional de leitura”, afirmou.

Adelaide Monteiro comprometeu-se ainda a dar continuidade à reedição das obras literárias, esgotados no mercado e a apostar na digitalização das obras, como forma de dar mais visibilidade aos livros e aos escritores cabo-verdianos a um maior número de interessados e estudiosos pelo mundo.

Ao fazer uso da palavra, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, agradeceu o empenho e dedicação dos anteriores gestores do ANCV e BNCV, respetivamente, Fátima Fernandes e Martinho Brito.

Entretanto, afirmou, o Governo no seu programa definiu aquilo que são “objetivos claros” do setor da cultura e é com base nesses objetivos que é feita a escolha dos gestores.

Segundo Abraão Vicente, todos os anos fazem uma avaliação e da avaliação feita no ano transato decidiram mudar a liderança dessas duas instituições da cultura, traçando objetivos “mais ambiciosos”.

“Não é de bom-tom e bom senso que o Governo mantém instituições só por manter. Mantém instituições, com objetivos que estão muitas vezes constitucionais e, simplesmente, não se os cumpre porque não se tem recurso, ou porque os objetivos da gestão não estão alinhados com aquilo que são os objetivos do Governo”, atestou.

Neste sentido, alertou ao novo conservador do ANCV que este tem como meta, não só preservar a memória dos arquivos e documentação do país, como também, tem o desafio de divulgá-las, digitalizar a documentação e ainda tem de saber tirar proveito do seu património como fator económico, fazendo parte das indústrias criativas.

Já para a nova curadora da BNCV, assegurou que o objetivo passa pela concretização do Plano Nacional de Leitura, continuar a desenvolver a rede de bibliotecas municipais e escolares, liderar e coordenar a terceira edição do festival de morabeza, e ainda fica o desafio de procurar novos parceiros para a reedição dos clássicos.