Em declarações à Inforpress, no âmbito do Dia Internacional do Livro Infantil, a escritora e jornalista enalteceu o esforço que vem sendo feito pelo Ministério da Cultura, o Ministério da Educação, iniciativas particulares, escritores e instituições no sentido de promover a leitura no seio dos mais pequeninos.

Apesar disso, realçou, a sua preocupação vai no sentido de que há pouco esforço ainda para tornar o livro mais acessível às crianças. Isto é, a seu ver, falta criar condições para que haja uma ligação entre o livro e a criança, e essa ligação, sublinhou, deve ser criada pelos animadores da leitura.

“Não basta só termos livros, colocá-las nas escolas e nas bibliotecas, temos que ter também pessoas preparadas e formadas para criar essa ligação entre a criança e o livro. Tem que ser pessoas que sejam capazes de trabalhar os livros, juntamente com as crianças, mas de uma forma divertida, lúdica para que elas possam ficar presas ao livro e ter esse gosto e prazer pela leitura”, enfatizou.

Conforme disse, no pré-escolar e no ensino básico há alguma atividade para incentivar a leitura através de livros de estórias, mas já na fase dos 11 e 12 anos, isto é, na pré-adolescência “há todo um vazio até à idade adulta”.

Para a escritora, nessa faixa etária é preciso criar mais incentivo, mais atividades, mais promoção da leitura, e as “escolas são chamadas a cumprir esse papel”, pois, é uma idade em que os alunos focam mais nas tecnologias de informação e comunicação, em vez da leitura.

A mesma fonte acredita que o concurso de leitura realizado nas escolas e o Plano Nacional da Leitura vão contribuir ainda mais para esse processo de incentivo à leitura.

“De facto, as tecnologias são os maiores inimigos do livro, mas é possível haver essa coabitação, mas, por outro lado, é preciso que os adolescentes sejam estimulados a ler, mas a ler com estórias que os interessam”, disse, ajuntado que os livros que são utilizados nas escolas, ou seja, nos programas de língua portuguesa, muita das vezes não são livros que atraem os adolescentes.

Diante desta preocupação, a escritora resolveu criar um projeto “Malas de Conto”, financiado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas, que visa levar os livros onde, praticamente, não existe atividade à volta do livro ou se existem são muito poucas.

“Este projeto passa por contar estórias e todas as outras atividades à volta do livro, com a leitura animada, estimular a criança a pensar através das suas próprias estórias que ela vai criar”, indicou.

O projeto ainda abarca a formação dos mediadores e animadores da leitura, que posteriormente, terão a responsabilidade de desenvolver atividades para implementarem nas suas comunidades.

O projeto vai ser apresentado, publicamente, no dia 23 de abril (Dia Internacional do Livro) e no mês de maio, informou, vai ser implementado em alguns dos municípios e localidades da ilha de Santiago (São Francisco, Ribeira Grande de Santiago) e nas ilhas do maio e São Nicolau.

No dia Internacional do Livro Infantil, Natacha Magalhães apela aos pais que mesmo que não tenham o hábito de ler, que se esforcem e leem estórias para os seus filhos ou que peçam às crianças para lerem e a partir dessa leitura criarem as suas estórias.

Aos professores, disse, estes “devem fazer um esforço de fazer da sala de aula um espaço de leitura que seja prazerosa”.

O dia 2 de abril foi escolhido para ser o Dia Internacional do Livro Infantil por ser a data de nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen.

Hans Andersen foi o primeiro escritor a adaptar antigas fábulas para o público infantil, incluindo importantes lições de moral nas entrelinhas. Dentre as principais obras do autor está “O Patinho Feio”, “A Pequena Sereia”, “A Roupa Nova do Rei”, entre outros contos.

A iniciativa para a criação do Dia Internacional do Livro Infantil foi do Concelho Internacional sobre Literatura para Jovens – IBBY, que comemoram esta data desde 1967.

Esta data é destinada ao incentivo e conscientização da importância deste gênero literário para a formação de novos leitores.

Natacha Magalhães
créditos: Inforpress

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