É como convidado da Morabeza – Festa do livro que Lázaro Ramos está em São Vicente, a ilha de Cesária Évora, cantora, juntamente com Mayra Andrade, que apontou como as suas primeiras referências quando ouviu falar de Cabo Verde.

Como contou, Cesária Évora está na sua vida, na sua memória desde a adolescência, apresentada “há muito tempo” pelo seu segundo pai e professor de dança bahaiano, “Zebrinha”.

“E eu já me encantei, principalmente porque vinha cheio de outras imagens lúdicas, imagem da ilha, Cabo Verde o som do crioulo e ficou no meu imaginário como partes do mundo que deveria conhecer”, assegurou.

Essa oportunidade, que está tendo agora e que, como disse, o faz sentir “em casa”.

“Você passa tão bem, come-se tão bem e as pessoas tão gentis. É muito bacana estar fora da sua terra e ser tratado com tanta gentileza como tenho sido tratado aqui”, desabafou, adiantando, já ter falado para sua esposa, Thaís Araújo, que também já conhece Cabo Verde, para voltarem e ficarem “mais tempo”.

Até porque, segundo o ator, que foi muito conhecido no arquipélago com o personagem “Foguinho”, interpretado na novela da Globo “Cobras e lagartos”, tem experimentado uma “sensação de familiaridade”, que o fez lembrar não só Brasil, mas a sua terra natal, Salvador da Bahia.

“Ando por recantos aqui e parece que estou no Pelourinho”, disse entre risos e também “impressionado” com a maneira como as pessoas se relacionam, que é parecido, garantiu, “com o jeitinho brasileiro” e, que não sabe como explicar.

“Tenho tido a oportunidade de ter esse olhar de quem vive aqui, que conta de cada pedacinho das ruas, das praias, dos alimentos e das bebidas. Pena que é por pouco tempo”, lamentou-se.

Quanto ao lado escritor, que o traz por cá, “A velha sentada”, lançado em 2010, foi o primeiro livro escrito, e demorou sete anos e que fala de uma “menina desanimada”, e que passava o tempo todo à frente da televisão e do computador, uma história “um pouco parecida” com a criança que foi.

“Eu era uma criança retraída e que ficava isolada pensando sobre várias coisas no mundo, mas sem conseguir-me comunicar”, declarou, apontando ser essa razão que o fez começar a escrever, desde sempre, “para desabafar e para ter com quem conversar coisas, que não encontrava seres humanos para falar”.

Lázaro Ramos tem ainda na sua lista de obras “O Caderno de Rimas do João” e “O Caderno sem Rimas da Maria”, dois livros inspirados nas conversas tidas com os filhos, João e Maria e voltados para o público infanto-infantil, que considerou ser os “mais difíceis” de serem escritos.

Entretanto, para o público adulto, o escritor lançou, no ano passado, “Na minha pele”, um livro que demorou dez anos para ser escrito, e que conforme a mesma fonte, vendeu mais de 100 mil exemplares no Brasil, ao contar partes da sua biografia e abordar as perceções, que tem do mundo, como as questões raciais.

“É muito bom estar aqui, na minha primeira viagem internacional para falar sobre o livro, porque ele fala da ilha de onde vem a minha família, chamada ilha de Pati e que hoje tem 180 moradores”, regozijou-se.

Aliás, ajuntou, é nessa ilha, que mais se reconhece e que faz ainda ser “esse menino apegado a valores familiares”, e que também, declarou, lhe traz “sossego”, ao contrário da sua vida de agora “muto agitada, de correria e trabalho intenso”.

Em dezembro, Lázaro Ramos prevê o lançamento do seu mais novo livro, feito “por encomenda”, a convite do projeto Mundo Bita, do Recife, para ajudar as crianças a identificar os sentimentos e, numa outra parte, conta a história dos povos do Rio Omu, na Etiópia.

Mas, nesse momento, através do festival Morabeza, disse procurar conhecer outros autores de língua portuguesa e poder ter a “noção” do que os seus livros representam fora do Brasil.

O ator tem que voltar dentro de dois dias para o Brasil para poder votar na segunda volta das eleições presidenciais, que acontecem neste domingo, e que, como advogou, vão trazer “momentos difíceis” para o Brasil, ainda mais se for o Bolsonaro, que, assegurou, tem promovido a “barbárie”.

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