A informação foi avançada no encerramento da terceira edição do Morabeza, que este ano decorreu na ilha do Fogo e na Cidade da Praia, tendo o titular da pasta da Cultura indicado que no próximo ano, por se se tratar de um ano eleitoral e que deve coincidir com o festival, decidiu realizar uma primeira edição em Março de 2020, em Santiago Norte, só com mulheres escritores, e uma segunda edição em Santo Antão, como tinha anunciado na abertura.

Abraão Vicente avançou que ideia da realização de uma edição só com mulheres é o resultado de reflexão sobre várias opiniões das mulheres escritoras, salientando que nesta edição vão reunir-se “as cabeças da intelectualidade no feminino”, integrando não só as escritoras como cientistas e investigadoras, sendo que o custo de reunir as que vivem no país não será grande e será convidada uma ou duas escritoras estrangeiras.

A edição de Março, explicou, será suportada a 100 por cento (%) pelo ministério mais um ou outro parceiro, e a segunda edição, em Santo Antão, contará com o envolvimento dos parceiros clássicos do festival, nomeadamente a Caixa Económica e a Cabo Verde Telecom, sendo que a segunda vai estar mais focada nas escolas e na juventude segundo o ensinamento retirado das edições anteriores.

Para o ministro da Cultura e das Industrias Criativas, a terceira edição do Morabeza foi um festival com muitas aprendizagens “e a todos os níveis”, nomeadamente a necessidade de preparar o terreno, assim como se faz para a sementeira, para o futuro.

“Não foi uma edição com muito publico porque descentralizou-se não só para ilha do Fogo como nos seus três municípios, mas tem de haver um trabalho preparatório dos municípios e da biblioteca porque só trazer os escritores e montar a logística não chega”, disse Abraão Vicente, para quem a participação dos escritores no festival foi muito positivo e levam uma experiencia positiva de Cabo Verde.

O Morabeza – Festa do Livro é financiado pelo Fundo do Turismo numa lógica de promoção de Cabo Verde como destino e esta edição permitiu além de promover o país, reforçar a parceria com a Câmara Municipal de Viseu (Portugal) e com a sua própria programação, razão porque considera que foi uma edição positiva em termos de lançamento de sementes para o futuro.

Este disse que o seu ministério vai trabalhar para ter pequenos encontros literários nas ilhas, porque “o grande ensinamento” é que há necessidade de ter eventos permanentes em todas as ilhas e um grande evento anual, mas reconhece que é preciso maior envolvimento dos municípios, maior diversificação na programação cultural e não centralizar apenas nas músicas e nos grandes festivais populares.

“É necessário ter coerência e pedagogia”, advoga o MCIC que criticou a ausência dos professores e dos alunos nas várias sessões, numa ilha com pelo menos quatro escolas secundárias.

Para o mesmo não se pode pensar somente na escola formal e indicou que o Morabeza é também escola e que trazer escritores como Germano Almeida (premio Camões 2018), Dina Salústio, João Tordo, Conceição Lima, de entre tantos outros é uma oportunidade que se perdeu para que os alunos estabeleçam contactos em primeira mão com esses autores.

“Enquanto tutela reconheço que temos de trabalhar mais e não tendo o envolvimento das Câmaras o Ministério vai assumir o trabalho de mobilização, o que significa que para a próxima edição a equipa será alargada para garantir melhor aproveitamento das oportunidades”, disse.

Este defendeu que é preciso acreditar no processo porque a literatura não é e nunca foi um evento de massas, mas que num país com seis universidades a funcionar, liceus e as escolas, o sistema educativo tem de entender que a educação e a cultura têm de andar lado a lado, porque a avaliação não se faz pelo número de público, mas por quem consegue absorver os conhecimentos.

No último dia do festival realizou-se nos Mosteiros a mesa de debate sobre “porque precisamos de uma literatura cabo-verdiana” com os escritores Manuel Veiga e Eurídice Monteiro com a moderação de Adelaide Monteiro, a entrevista de vida com Germano Almeida e moderação de Fausto do Rosário, mesa de debate sobre “porque precisamos de livros hoje” a cargo de Abdulai Sila e Samuel Gonçalves e moderação de Jorge Sobrado.

Antes do encerramento que aconteceu nas instalações do museu municipal, realizou-se a conferência em homenagem ao médico e escritor foguense Henrique Teixeira de Sousa intitulada “transformações do tecido social foguense através do romance Xaguate” presidida por Manuel Veiga, seguido de mesa de debate sobre “a mulher na cultura” com Dina Salústio e Shauna Barbosa e moderação de Eurídice Monteiro.

JR/AA

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