O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas lembrou, em declarações à RCV, que, para além do “preço insuportável” apresentado ao Governo, há, por outro lado, custos ligados à montagem do museu Cesária Évora.

“A proposta que nós recebemos é incomportável para o ministério e para o Estado neste momento”, reforçou a mesma fonte, porque, ajuntou, o Museu Cesária Évora tem que ser um projeto colectivo, não é um projeto de quem geriu a carreira dela, nem dos familiares.

Por isso, acrescentou, tem que haver “um esforço” de todos os lados, pois, para além de comprar a casa, há que montar todo o projecto museológico, pelo que se trata de um projeto que ainda está “em banho-maria”.

“É preciso uma vontade do Estado, é verdade, porque Cesária Évora é um atributo do Estado, mas tem que haver aqui uma congregação de vontades, da câmara de São Vicente, que já se disponibilizou, e é preciso montar bem um projecto que não seja apenas mostrar as coisas da Cesária”, sintetizou Abraão Vicente.

“É preciso montar um projecto que seja referência a nível internacional é para isso que estamos a trabalhar”, concluiu o ministro.

Já existe, em São Vicente, o Núcleo Museológico Cesária Évora, inaugurado no dia 08 de maio de 2015.

Cesária Évora, tida como “figura maior” do folclore musical do arquipélago, gravou, ao longo da sua carreira, mais de duas dezenas de discos e tornou-se, aos 47 anos, uma “estrela” da “world music”.

Em 2004 recebeu um Grammy para o Melhor Álbum de “World Music” contemporânea, pelo disco “Voz d’Amor”, cumprindo então sucessivas digressões e regressando, de vez em quando, à terra natal.

A “Diva dos Pés Descalços”, nome por que ficou popularmente conhecida, morreu no dia 17 de dezembro de 2011, na ilha de São Vicente, aos 70 anos.