Em declarações à Inforpress, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abrão Vicente, disse que, para além de homenagear o património construído, é preciso também saber aproveitar o legado dessas pessoas que, segundo destacou, são também um património.

“Este ano, resolvermos fazer essa homenagem no Palácio da Cultura Ildo Lobo, para marcar a dignidade (…), num ano em que estamos a perder figuras incontornáveis: já perdemos no Fogo e no maio e nós queremos acarinhar Nha Balila até onde seja possível e podermos”, precisou.

Segundo o governante, essas pessoas como a Nha Balila são portadoras de um património e legados que não se ensinam na escola e já não se ensinam também através dos métodos antigos que eram a rua ou através do contar de histórias e por isso é necessário trazer e encontrar outros palcos para que esse processo de desenrole.

“Acho que Nha Balila, por ser tão interventiva, acabou por formar uma geração muito grande de novos contadores de histórias, novas batucadeiras e creio que é uma homenagem singela mais merecida”, suscitou o ministro.

Na ocasião, a homenageada, que se mostrou “satisfeita e emocionada”, agradeceu ao ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, as batucadeiras de “Tradison de Terra” e aos amigos, pelo reconhecimento que, no seu entender, veio na altura certa.

Isidora Semedo Correia, mais conhecida por Nha Balila, filha de um alfaiate e de uma camponesa, Raimundo e Paulina, nasceu na localidade de Serra da Malagueta, no concelho de Santa Catarina (interior de Santiago), em 1929.

Ainda criança, despertou o interesse pela prática do “finaçon e tchabeta” e, aos dez anos, revelou a sua paixão pelo batuque, ainda que a prática dessa cultura tradicional cabo-verdiana sofresse muita pressão por parte Igreja da era colonial.

A independência nacional teve um papel decisivo na continuidade de Nha Balila na arte de brincar o batuco. Foi nessa altura que formou o seu agrupamento denominado “Bali Pena (Valeu a pena), agremiação que sempre marcava presença nas tradicionais festas de despedidas de solteiros, batizados, Páscoa e casamentos, e em diversos pontos da ilha de Santiago.

Uma de quatro irmãs, também invisuais, tendo duas já falecidas, Nha Balila mora há 51 anos no bairro de Tira Chapéu, na Cidade da Praia.

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