De 17 de dezembro de 2015 a 05 de janeiro deste ano apenas 301 cidadãos estrangeiros e 158 nacionais deslocaram-se ao Palácio do Povo, no Mindelo, para visitar a exposição do espólio da cantora Cesária Évora, patente ao público há três semanas.

Chineses, italianos, japoneses, franceses, russos, alemães, portugueses e angolanos são algumas das muitas nacionalidades estrangeiras que já deixaram “referências lindíssimas” sobre a exposição, mas o número de visitantes “não satisfaz”, segundo o responsável da mostra, Francisco Rocha, dono de 95 por cento do espólio pessoal de Cesária Évora.

Francisco Rocha tem a consciência de que está a correr por conta própria, porque nem a Câmara de São Vicente nem o Ministério da Cultura assumiram claramente o Projecto de, segundo afirma, “valorizar o que é nosso”.

A fraca adesão púbica à iniciativa anda, todavia, longe de desmoralizar Francisco Rocha, para quem o “caminho é para a frente”, rumo a unir vontades da autarquia e do ministério para a valorização da cultura nacional de Cabo Verde, sob pena de “vivermos no mundo perdidos”.

A dimensão internacional da cantora Cesária Évora pesou na determinação de manter a exposição até Julho deste ano, com custos que o colecionador irá suportar sozinho, a cem por cento.

Francisco Rocha já contactou com a curadoria do Mindelo, com deputados nacionais e municipais e com agências turísticas, no sentido de juntos valorizarem a cultura, mas de todos aguarda assunção clara do projeto.

A exposição abriu portas a 17 de dezembro, dia em que se completaram quatro anos sobre a morte de Cesária Évora, sendo que nela se encontram patentes 825 peças de objectos que pertenceram à artista, designadamente capas de discos, fotografias, documentos e roupas.

A cantora faleceu a 17 de dezembro de 2011, aos 70 anos, na sua cidade natal do Mindelo, vítima de complicações cardiorrespiratórias.