Este posicionamento serve de mote para uma formação que este profissional realiza no festival internacional de teatro Mindelact, iniciada hoje e que se prolonga até esta quarta-feira, em que, como o próprio avançou à imprensa, procura “deformar as certezas que nós temos e abrir as nossas cabeças e construir novas maneiras de escrever sobre o teatro”.

Algo, que, segundo a mesma fonte, se mostra “ importante”, porque o “mundo mudou” e os artistas estão pensando de “forma diferente”.

“A crítica precisa reformular a maneira de pensar o teatro e isso implica se colocar diferente em relação ao teatro”, disse Ruy Filho, defendendo, que se o crítico continuar a pensar da “mesma maneira ficará fora do tempo do artista”.

Noutras épocas, ajuntou, alguns críticos construíram certezas do que estava acontecendo sobre o palco, dizendo o que era certo e que era errado.

“Não concordo com isso, acho que a gente precisa entender o que artista se propôs a fazer e a partir daí se perguntar se ele conseguiu o que pretendia, talvez sim, talvez não”, salientou, com a ideia que é neste momento que entra o trabalho do profissional como ele.

“Dessa maneira a função do crítico deixa de ser avaliar o artista, ou explicar a obra para o público, mas, explicar a obra para o próprio artista”, reforçou, considerando ser um trabalho “extremamente difícil”, por não se saber o que está na cabeça do artista ao criar o espetáculo.

Assim, explicou, propõe-se uma crítica que “não pretende resolver os problemas do teatro”, mas sim, que “fala sobre as visões do mundo e mostrar isso ao leitor”.

“Esta a é a magia da crítica”, lançou.

Este o ensinamento que o único aluno que esteve na formação de hoje, Airton Ramos, e que também escreve “um pouco” sobre o teatro, disse querer “beber” da “muita experiência” do Ruy Filho.

“Por vezes nós fazemos uma coisa e não há quem tenha um olhar e nos diga estamos no caminho certo ou não”, disse Airton Ramos, que espera assim encontrar “algumas respostas” sobre as maneiras de se fazer crítica teatral, que “não tem uma forma fixa, mas sim caminhos”.

Ruy Filho afirmou ter começado há cerca de 15 anos “sem querer” nesta que agora se tornou na sua profissão, com “impressões” que publicava num blogç

Depois, prosseguiu, começou a escrever para sites e jornais, e hoje mantém uma revista digital, a Antropositivo juntamente com a esposa, que aborda não só o teatro, mas, também dança, performance e ainda cinema da vanguarda.

Além de São Paulo, onde mora, já viajou por vários festivais dentro do Brasil, e há quatro anos mantém um projeto que o levou a diversos países da Europa e da América e agora Cabo Verde, que, conforme o mesmo, é a primeira entrada na África.

Também no dia de hoje, enquadrado no Mindelact, foi realizada a formação de “Corpo”, com Marlene Freitas, e que decorre até esta terça-feira.

Quanto ao restante da programação de hoje prevê-se, às 16:00, o Ciclo Internacional de Contadores de estórias (CICE) com Enano Torres de Espanha e ainda às 17:00 “Teatro na praça”, em Ribeira Bote, com Fernando Villa,da Argentina.

Logo à noite, às 21:00, entra em cena o Grupo de Teatro do Centro Cultural Português do Mindelo com “A Metamorfose”, que precede ao “Festival Off”, que neste ano tem como tema único “Morna, nosso património” e arranca hoje com “Serenata” interpretada pela Escola de Artes Estaleiro de São Nicolau.

Quanto ao espetáculo “Einstein”, do Teatro Extremo, que estava programado para acontecer na ALAIM, segundo informações da organização, foi cancelado devido a problemas com a chegada do grupo e agora só vai acontecer na Cidade da Praia, que tem uma extensão do festival.

LN/AA