Questionado pela Inforpress sobre as críticas dos agentes culturais, após o anúncio de corte de financiamento para alguns projectos, Abraão Vicente esclareceu que as profissões ligadas às artes são profissões liberais. Ou seja, clarificou, os “profissionais das artes devem fazer a planificação das suas carreiras de acordo com o condicionamento das suas carreiras”.

Pelo que, defendeu, “não é o Estado responsável por quem nunca contribuiu para o INPS ou para a segurança social”.

“Nós podemos ajudar e temos estado a ajudar. Mas sempre que um artista ou um criador vá à comunicação social reclamar porque não recebe 10 ou 15 escudos de uma ajuda de um projecto que criamos, temos um problema. Portanto, é fundamental que as pessoas escolhem devidamente as suas profissões para perceber que o Estado não é patrono dos agentes culturais”, afirmou o ministro.

Segundo Abraão Vicente, os projectos que deixaram de ser financiados são os da sociedade civil, que iriam acontecer ou não,  de acordo com a trajectória da pandemia da covid-19. Desta forma, acrescentou, o seu ministério escolheu financiar aqueles que não tinham certeza que iam acontecer e que após a passagem da pandemia podiam voltar a ser programados.

“Grande parte dos eventos culturais que deixaram de ter financiamento este ano nunca tiveram um financiamento tão volumoso e tão previsível como este do Ministério da Cultura. Portanto, recuso-me absolutamente a comentar as ondas do facebook, respondendo um a um”, asseverou o governante, para quem “há muitos agentes culturais em Cabo Verde que não conseguem ter uma visão de drone e não conseguem ver o campo todo”.

“Só conseguem ver aquele evento cultural, aquela exposição, aquele festival de teatro a que eles estão habituados a perceber como cultura. Mas, obviamente, os cabo-verdianos que acompanham a dinâmica do Ministério da Cultura, dos seus agentes e a nossa programação, percebem que se há ministério que não parou por causa da covid-19 foi o da Cultura”, referiu, dizendo que não acredita que um financiamento que foi suspenso este ano possa pôr em causa a sustentabilidade de qualquer projecto.

A mesma fonte considerou também que “existem poucos” profissionais da arte e da cultura em Cabo Verde, ou seja “gente que vive exclusivamente” desse ofício.

Para Abraão Vicente, tudo o que o seu ministério está a fazer prova exactamente que há muito que “a cultura deixou de ser um parente pobre do Governo”.

A título de exemplo, citou o projecto de reabilitação do Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD), num montante de quase 600 mil contos cabo-verdianos, num mandato, para a reabilitação do património histórico e obras “que estão a ser feitas ao mesmo tempo em todas as ilhas”.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.